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A base pede mais atenção

Mhicael conquistou medalhas importantes neste semestre e quer ir muito mais além
Mhicael conquistou medalhas importantes neste semestre e quer ir muito mais além
O judoca Mhicael Valverde, 15 anos, sonha representar o Brasil em uma Olimpíada, mas resssalta a falta de apoio para os atletas

Escolher uma modalidade esportiva e tentar ser um atleta de alto rendimento não é tarefa fácil no Brasil. Faltam incentivo, apoio financeiro, patrocínio e vontade política para mudar essa triste realidade. E mesmo com todas as dificuldades, jovens tentam vencer as barreiras e ainda representar o país que pouco faz por eles. Como é o caso do judoca Mhicael Valverde, 15 anos, que trabalha muito para realizar o sonho de lutar em uma Olimpíada.

A trajetória do jovem atleta começou muito cedo, no Jiu-Jitsu, e, com 13 anos, já havia conquista 14 medalhas de ouro e foi campeão invicto pelas competições da Federação de Jiu-Jitsu. Mas uma fratura o afastou dos tatames por seis meses. Após esse período, resolveu investir no Judô, modalidade que já praticava para auxiliar nas competições.

Neste semestre, o atleta, que acabou de ser graduado para a faixa roxa, já teve duas importantes conquistas. Foi ouro na etapa da Federação Metropolitana de Judô de Brasília e, na 11ª etapa, ocorrida dia 29, foi prata. Na primeira, conquistou vaga para disputar o processo Seletivo Sub 18 e Sub 21 2015, que será realizado no Centro Pan-americano de Judô (CPJ), em Salvador, de 3 a 7 deste mês.

Atualmente, Mhicael treina no Sesi de Sobradinho, sob os olhares e orientações do professor Shellon Andrade Nunes, que vê no atleta um futuro promissor. Segundo o mestre, o judoca chegou com uma bagagem muito boa, mas estava sem ritmo de competição e precisando trabalhar força. “Ele evoluiu muito. O melhor resultado dele no primeiro semestre foi um terceiro lugar. Já neste semestre, chegou a dois vices”, lembra Shellon, frisando que ele melhorou tanto na parte técnica, força, assim como também evoluiu na questão de relacionamento. “Mhicael é um menino muito tímido, fechado, na dele. Mas viajamos para Minas e ele já estava bem mais solto”, conta.

A força de vontade, muitas vezes, quase é engolida pelas dificuldades, que não são poucas. Falta apoio para os atletas de base e é preciso muita perseverança para driblar as barreiras, como conta Mhicael: “Alguns pensam que investir em um atleta é pagar inscrições de campeonatos e viagens. Mas é muito mais que isso. Tem alimentação balanceada, que não é barata; pagar nutricionista esportivo; transporte, e aqui em Brasília é complicado; e, para piorar, são poucas as escolas particulares que dão incentivo aos esportistas”.

A mãe, Kesy Valverde, também fala das dificuldades que a família enfrenta para manter o atleta na modalidade. “Conciliar o tempo de idas e vindas aos treinos e escola é muito apertado. Ele faz o 1º ano do Ensino Médio e esperar ônibus é perda de tempo e se torna impossível cumprir todos os compromissos a tempo”.

E as dificuldades não param por aí. Segundo Kesy, as despesas são altas. “Os profissionais de nutrição esportiva não atendem por plano de saúde; a alimentação é diferenciada; os suplementos manipulados também são caros. Tudo isso deixa o orçamento apertado”.

Para melhorar, ela acredita que deveria ter mais apoio na formação. “Só há apoio quando o atleta já despontou. Só que é bom lembrar que para chegar no topo, o trabalho é árduo. Se temos atletas chegando ao pódio sem  a devida atenção, imagina se houvesse apoio sério às nossas crianças?, questiona.

Sesi

Para Shellon, o Distrito Federal ainda enfrenta a falta de clubes que podem apoiar os atletas. “Aqui, somente o Sesi dá esse suporte, com treinamento, passagens e hospedagens para participar de competições oficiais, mas eles precisam participar dos eventos de menor porte, como as copas, que não ranqueiam, mas dão experiência e preparo ao atleta”, comenta o professor.

Este ano, segundo Shellon, o Sesi custeou a viagem de atletas e também a dele, para participarem de uma competição oficial da CBJ. Mas o clube não custeia as copas”. Ele conta que ainda este ano, estão tentando viabilizar a participação de cinco atletas de Sobradinho, que treinam no Sesi, na seletiva para o circuito europeu, que ocorrerá neste mês de dezembro, em Salvador. Além de Mhicael, Grasiele, Anderson, Gabriel e Mateus Henrique podem participar das categorias Sub 18 e Sub 21.

O professor chama a atenção das autoridades para os programas que aí estão, como o Compete Brasília, que, muitas vezes, não consegue ao menos dar a resposta em tempo hábil. “A gente sabe que tem a verba, mas é tanta burocracia, o processo é tão lento, que muitas vezes o atleta desiste. Ele precisa fazer a inscrição, que não é barata, mas não tem a certeza se vai conseguir viajar”, comenta Shellon.

Apoio

Mhicael segue firme na preparação e, embora a pouca idade, tem maturidade para enaltecer o que há de bom com relação a incentivo. “Vejo em outros países como são valorizados os atletas de base. Na realidade, as crianças são incentivadas a praticar esporte e os que se destacam têm todo o incentivo, como nutricionista, médico, transporte. Ou seja, um verdadeiro apoio”, compara.

Ele seguirá em frente, devido à paixão pelo esporte, mas pede mais apoio dos governantes para as categorias de base.

Kesy lembra que desde muito cedo os olhos do filho sempre brilharam para o judô e continuará apoiando o trabalho iniciado pelos professores Marcos Soares e José Guilherme (in memorian), que foram muito importantes no incentivo ao seu guerreiro. “Ele é um excelente aluno e dá conta da turbulenta maratona entre treino e escola. Ele é muito estudioso e foi o primeiro da sala em notas e também ganhou o segundo lugar nas Olimpíadas de Matemática”, conta orgulhosa, a mãe.

 

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2 Comentários

  1. Mica, apesar das dificuldades que sempre temos nesta vida, Nosso Deus sempre renovará as forças daqueles que confiam Nele. Continue assim que sempre terá vitórias.

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