2014Editorial

A maldade está no ser humano e não na modalidade esportiva

Kátia Sleide Editora-chefe
Kátia Sleide
Editora-chefe

No dia 29 de março, uma criança de um ano e 11 meses veio a óbito, depois de ficar internada dois dias devido a agressões sofridas em sua residência. O principal suspeito é o padrasto da vítima, Daryell Dickson Menezes Xavier, 25 anos.

De acordo com a delegada da 38ª Delegacia de Polícia Tânia Soares, “a ação de traumatismo foi contundente e a força exercida foi muito grande. Só uma pessoa com porte grande e conhecimento de técnicas, como o padrasto, que era lutador de jiu-jitsu, saberia dar”.

O ocorrido causou comoção na comunidade e, durante toda a semana passada, alguns programas televisivos que se dizem “jornalísticos” descarregaram toda a revolta pela morte da indefesa criança no Jiu Jitsu.

Pessoal, é preciso tomar cuidado com certos conceitos e pré-conceitos antes de sair atirando para todos os lados. Não é a modalidade que torna uma pessoa mais ou menos violenta. Isso é da índole do indivíduo e nada tem a ver com o Jiu Jitsu.

A modalidade, assim como várias outras lutas, é disciplinadora, tira muitas crianças das ruas e também resgata muitos indivíduos, inserindo-os na sociedade. Alguns já estavam perdidos e sem nenhuma esperança de levar uma vida normal.

O padrasto, acusado de cometer tamanha barbárie, ou qualquer outro indivíduo com o seu porte físico, poderia matar uma crainça da idade da que morreu com sua força, independentemente de ser um lutador de Jiu Jitsu. Quem quer que tenha feito isso, não cometeu o crime porque conhece as técnicas, mas porque é uma pessoa má.

Chamo a atenção para a estereotipação, porque há muitos anos, a modalidade vem sofrendo com o preconceito da sociedade. De um tempo para cá, todos os que praticam o Jiu Jitsu têm unido forças para desmitificar a luta ou seja, tirá-la do conceito de marginalidade que muitos acreditam estar associada.

Não se mata alguém porque se pratica Jiu Jitsu ou qualquer outra luta. Mata-se porque é da índole do cidadão que não dá o mínimo valor à vida. Portanto, caros colegas da imprensa, cuidado ao associar um assassino à modalidade que ele pratica. Dessa forma, vocês podem colocar anos de trabalhos sociais, como é o caso de muitos que existem no DF, a perder.

Tem muita gente boa que usa o Jiu Jitsu para promover a inclusão social, o resgate e a formação de cidadãos do bem. Esse pessoal já enfrenta muita dificuldade, mesmo fazendo um trabalho muito importante para a sociedade. Ficará quase impossível dar continuidade, caso as pessoas acreditem que a modalidade é que incentiva essas barbáries contra o ser humano.

“A força física aplicada contra uma pessoa pode ser o que motiva a morte, mas a iniciativa parte do interior, da maldade que habita o ser”
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Um comentário

  1. Mas vou perguntar respeitosamente, quem sempre treina não fica com vontade de
    por em prática e acaba agredindo por motivo banal? Não fica menos tolerante e com vontade
    de resolver tudo na briga? O cara passa anos e anos treinando para isso.
    Vemos muitas notícias de lutadores de jiu jitsu agredindo leigos por nada, principalmente
    na boates.
    Eu confesso que não tenho boa impressão de vocês e evito ter amigos que lutam.
    Me perdoe a franqueza, mas acho que mesmo arte marcial acaba aumentando a agressividade .
    Cordialmente,
    Marcio Freire.

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