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Aruc: 54 anos de puro envolvimento com a história de Brasília

Muitos me conhecem, mas não sabem da minha história. Nasci na Vila do IAPI, uma invasão que surgiu logo após a construção de Brasília  e foi removida, no início da década de 1970, para a Ceilândia. De lá, minha família se mudou para Taguatinga, onde fiquei por sete anos.

Em 1983, mudei-me para o Cruzeiro Novo, devido ao programa de moradia para funcionários públicos que havia naquela época. Meu padrasto, que era funcionário do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), foi contemplado.

Cheguei à cidade no início de minha adolescência e cheia de curiosidade para explorá-la. A única coisa que sabia sobre a região era que a Associação Recreativa e Cultural do Cruzeiro (Aruc), escola de samba mais famosa de Brasília, tinha sede ali.

O tempo passou, fiz muitas amizades, conheci uma população apaixonada pela cidade e um povo que tinha uma identidade muito grande com sua escola de samba. Assim, passei também a torcer com muita paixão pela Aruc.

Cresci, amadureci, vivi o Cruzeiro. Participei de quase todas as ações culturais promovidas pela Aruc, principalmente as ruas de lazer, que promoviam a integração entre as famílias cruzeirenses, assim como também revelavam os talentos de nossa cidade, por meio do Concerto Canta Gavião.

Apaixonada por esportes desde criança, também torcia pelas equipes que representavam a Aruc em várias modalidades. Não se tinha muito dinheiro naquela época, mas grandes nomes vinham à associação e honrava o povo cruzeirense com sua presença. Sentíamos muito orgulho de tudo isso. Aliás, a Aruc nos dá muito orgulho até hoje. Não apenas pela sua história nos carnavais  de Brasília, mas pelas ações junto à sua comunidade.

Há décadas, acompanho o drama, tanto dos moradores quanto dos diretores da agremiação na busca incessante pela regularização da sede da Aruc. As promessas são muitas. Entra e sai governo e a situação não se define. E digo com toda a certeza que não se resolve porque falta vontade política. Falta um homem de palavra entre nossos governantes, que conheça nossa história, para tomar a frente e dar um basta nessa total falta de respeito com a Aruc e a comunidade cruzeirense.

Aos nossos governantes e parlamentares, fica a dica: problemas têm de ser resolvidos e não guardados em gavetas para virarem barganhas políticas a cada quatro anos. O povo já se cansou desse modelo ultrapassado, cruel e vergonhoso.

À Aruc e a todos os que ajudaram e ainda ajudam a escrever essa história de cumplicidade com a comunidade, só temos que parabenizar e agradecer pelo esforço incessante. Cinquenta e quatro anos envolvem muitas vidas! Parabéns demais!

“Falta um homem de palavra entre nossos governantes, que conheça nossa história, para tomar a frente e dar um basta nessa total falta de respeito com a história da Aruc e de sua comunidade”