Cidades

Exemplo de dedicação na Candangolândia

Escolinha de Futebol Juventude Candanga é referência na Candangolândia

Fruto da visão de um apaixonado por futebol, o projeto Juventude Candanga nasceu em 1987, na Candangolândia, e é referência para a garotada da cidade e do Núcleo Bandeirante. Ailton Nogueira dos Santos, o criador da escola de futebol, tem no trabalho com os jovens da região seu ideal de vida.

A história da escolinha se mistura à luta de vida de seu idealizador, que, com apenas sete anos de idade, veio da Bahia para Brasília, com sua família, no final da década de 1970, em busca de uma vida melhor. Desde que chegou, Ailton já mostrou seu espírito de liderança. Aos nove anos, montou um time com meninos abaixo de sete para treinar. E, segundo ele, o time era um sucesso.

O tempo passou e Ailton observava o quanto havia crianças em situação de risco na cidade e que não tinham nada para fazer. “Sentia que podia mudar aquelas histórias”, conta.

Durante um período de férias do trabalho, montou um time de futebol com adolescentes de 14 e 15 anos. Tudo estava dando muito certo, mas ele teria de voltar para a labuta.

Contudo, os meninos não deixaram a bola parar e foram atrás de Aiton. “Fiquei surpreso e emocionado com o apelo deles e resolvi aliar o seu trabalho fixo aos treinamentos com os meninos”.

Como viu que seu trabalho tinha importância para os jovens, então resolveu se dedicar por total. “Fiz alguns cursos, busquei licença para montar a escolinha e consegui marcar alguns jogos”, conta.

 

Em busca de parcerias sólidas

Ajudar a escrever e, em muitos casos, reescrever a história de alguns jovens não é tarefa fácil. O projeto atende crianças de várias esferas sociais e muitas não têm condições de pagar a mensalidade. Mesmo assim, fazem parte do grupo.

Ailton Nogueira entende que a Escolinha de Futebol Juventude Candanga também é de cunho social. Por isso, o grande sonho dele é poder contar com a ajuda da comunidade, principalmente dos comerciantes da cidade. “As pessoas precisam entender a importância que tem os projetos sociais. Eles tiram as crianças das ruas, evitam que alguns virem adultos perigosos”, diz o professor.

“Muita gente só reclama. Falar é fácil, mas agir ninguém quer. Isso não é responsabilidade apenas dos governantes. Todos nós devemos contribuir de alguma forma”.

A ajuda pode vir de várias formas, com doação de material esportivo, mensalidades, inscrição dos meninos nos campeonatos e outros. “Acho tão legal quando vejo outros times que trazem em seu uniforme o nome de algum comerciante de sua cidade. Isso pode ocorrer aqui também”, finaliza Ailton.

Lutas e conquistas do projeto

No início, tudo foi mais difícil. Os meninos tinham de treinar em campo de terra e sentiam a diferença quando iam jogar em outros locais, como em clubes, mas mesmo assim, participaram de muitos campeonatos e saíram vitoriosos em grande parte.

A falta de estrutura nunca foi motivo de desânimo para os meninos. “Teve época que participamos de cinco campeonatos. Nem comia direito, mas ficava feliz, porque era a alegria dos meninos”, relembra Ailton.

Somente em 2008, a administração da cidade, a pedido de Ailton Nogueira, reconheceu que era preciso ampliar a quadra e colocar uma cobertura. Assim, eles ganharam um espaço para treinar.

Atualmente, a escolinha Juventude Candanga atende cerca de 120 crianças e jovens, entre 5 a 15. “O que quero não é apenas formar jogadores, mas faço com que o garoto se sinta respeitado, bem-vindo, querido pelo grupo”, revela.

 

Ao mestre

Muitos anos de dedicação ao esporte trouxe a Ailton uma certa popularidade na cidade e ele se orgulha de ser reconhecido na rua por seus ex-alunos. Yago de Souza Neves Fernandes é um deles. Até hoje ele vai à escolinha conversar com o amigo.

Hoje, com 19 anos, Yago relembra as muitas conquistas. O atleta jogou pela Juventude Candanga durante seis anos (dos 7 aos 13). “Os títulos que trazíamos eram para o Ailton. Para mim, ele foi como um pai. Ele é meu melhor amigo”, diz Yago. “Atualmente, jogo profissional adulto, no Cresspom. Sou pivô e, se não tivesse conhecido o Ailton, não estaria jogando futebol”, reconhece o rapaz.

 

 

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Um comentário

  1. Ailton foi mais que um treinador para mim, foi um amigo e um pai em certos momentos. Devo muita coisa a ele, infelizmente tive que me mudar, e acabei perdendo o contato com ele… mas espero ainda o reencontrá-lo.

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