2014Editorial

Falsos olheiros vivem de sonhos alheios – Parte 2

Kátia Sleide Editora-chefe
Kátia Sleide
Editora-chefe

Na edição passada, falei sobre as “peneiras” que são organizadas no Distrito Federal. O assunto irritou uma dúzia de pessoas que não tiveram coragem de expor na rede social, mas que não exitaram em igar para questionar minha opinião. Mas também ganhou o apoio incondicional da grande maioria dos profissionais comprometidos com a formação dos nossos atletas. Esses mesmos acreditam que devemos continuar insistindo no assunto para alertar os jovens e seus familiares.

Por isso, resolvi escrever um pouco mais sobre o assunto. Quando disse que há muita gente que se aproveita do sonho dos nossos jovens para faturar em cima deles, falei com propriedade de causa. Estou há tempo suficiente neste meio para apontar o dedo e dizer se determinada ação é ou não confiável. E volto a afirmar: a maioria é uma enganação.

De acordo com alguns organizadores, o valor cobrado é para cobrir as despesas com os “olheiros”. Estão certos os que cobram uma taxa simbólica para a realização do evento de avaliação, mas continuo afirmando que há os que levam grande vantagem financeira com as chamadas observações técnicas. Se colocarmos na ponta do lápis os custos de deslocamento dos mesmos para Brasília, hospedagem, alimentação e outras despesas, chegaremos a um valor bem distante do que se fatura com as adesões dos atletas.

A média de inscrição nessas peneiras é de 150 atletas, que pagam uma taxa de R$ 50. Fazendo as contas, teremos R$ 7,5 mil. Afirmo com toda a certeza que esse valor está bem acima do que se gasta com a realização do evento. Essa rotina é repetida em várias cidades do Brasil e a todo tempo. Outro fator que se deve levar em consideração é com relação à forma de observação. É impossível avaliar 150 atletas em um fim de semana.

E seguem três informações valiosas: 1) os principais clubes brasileiros pagam as despesas desses observadores para que eles busquem os talentos Brasil a fora; 2) desconheço qualquer talento no futebol que não tenha tido vínculo com alguma escola de formação; 3) grande parte das avaliações que são feitas pelo Brasil se encaixa no modelo que citamos acima. Elas são puxadas por “empresários/agentes” que prometem levar os bons para outros estados para facilitar sua entrada nos principais clubes. Porém, a permanência desses garotos requer pagamento por parte dos familiares para manterem seus filhos em verdadeiros depósitos de jovens sonhadores, que vivem em péssimas condições e longe do convívio da família.

Finalizando, aproveito para parabenizar o pessoal do Planaltina Atlético Clube, que realizou uma avaliação do Sport Club Internacional, no fim de semana que passou, e sem cobrar nada dos atletas. Isso, sim, é um trabalho social e que vai ao encontro dos sonhos de nossos jovens. Acompanhem na página 4 a opinião de agente formador aqui de Brasília sobre o assunto em questão.

“Não se deixe enganar com falsas promessas. Duvide sempre do que vem fácil e questione tudo. Não existe vitória sem batalha”
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