Futebol

Força para resgatar vidas

Com muita disposição, Antônio Gomes comanda cerca de 150 jovens, entre sete e 17 anos. O trabalho lhe rende grande respeito dos atletas
Jovens veem no projeto Ceilândia Esporte Clube chance de trilhar novos caminhos

Botafoguinho. Este era o nome do primeiro projeto criado pelo paraibano Antônio Gomes Araújo, o Tonhoca. O time surgiu em 1979 e sobreviveu até 1990. Acabou por falta de recursos. Como sempre sonhou em trabalhar com futebol e queria tirar as crianças das ruas, ele não desistiu.

Em 2009, Tonhoca criou o Ceilândia Esporte Clube (futebol de base), um projeto que usa o esporte como resgate social, tendo como objetivos ocupar o tempo livre de crianças e adolescentes e formar profissionais do futebol.

Segundo Tonhoca, o projeto atende cerca de 150 crianças e adolescentes, entre sete e 17 anos. Já formou atletas como Luiz Felipe, que atualmente atua no time profissional do Esporte Clube Ceilândia.

Antônio Gomes é funcionário público, trabalha pela manhã e, no período da tarde, dedica-se ao projeto. “O mais importante para mim é o resgate social. Saber que com futebol consigo tirar crianças da criminalidade é gratificante”, declara o técnico.

Os atletas da categoria de base do Ceilândia Esporte Clube treinam nos campos da Praça dos Eucaliptos, em Ceilândia Norte, e recebem, gratuitamente, uniformes e meião, mas Tonhoca queria poder fazer mais pelos atletas.

Futebol aliado aos estudos

Segundo Antônio Gomes, técnico do Ceilândia, na escolinha os meninos precisam entender que não podem abandonar os estudos. Por isso, muitas famílias o procuram para inserir seu filho no projeto.

As portas estão sempre abertas, mas ele garante que para participar dos treinos, os atletas têm que apresentar declaração de escolaridade, forma que o técnico encontrou de mantê-los estudando.

Ainda de acordo com o técnico, muitos chegam ao clube rebeldes e sem perspectiva de vida, mas, com o

Jonathan Marques só quer escrever uma história vitoriosa

futebol, aprendem a respeitar o próximo e, acima de tudo, passam a pensar no futuro.

Vitória

O goleiro Jonathan Marques de 15 anos que treina na escolinha há dois, hoje é campeão do torneio do Society da QNM 10, pela categoria Juvenil. Mas nem sempre sua vida foi de conquistas. Antes de entrar para o projeto, Jonathan havia sido expulso de várias escolas por mau comportamento e não tinha mais onde estudar.

O técnico só percebeu o problema que o adolescente estava enfrentando quando cobrou a declaração de escolaridade dele. E não pensou duas vezes em apoiar Jonathan. Dirigiu-se às escolas e garantir que o menino voltasse a estudar.

Com isso, a vida de Jonathan mudou radicalmente e para melhor. Ele já consegue enxergar um futuro promissor e garante que vai lutar por isso. “O esporte me deu noção de responsabilidade. Agora, sei o que é certo e o que é errado. Meu objetivo é continuar estudando e me tornar jogador de futebol profissional para ajudar meus avós”, conta o goleiro.

Histórias como a de Jonathan são constantes e fica a certeza de que o esporte é, de fato, uma potente ferramenta para trilhar caminhos promissores. Esse é o forte de grande parte das escolinhas de futebol do Distrito Federal, que clamam por ajuda.

Em busca de colaboradores

A escolinha, que participa de vários torneios e já conquistou inúmeros títulos, no momento, não recebe nenhuma ajuda de empresas privadas ou do governo. Os materiais usados em campo são doados pelo time principal do Esporte Clube Ceilândia, que repassa para o projeto o que não é mais utilizado.

As bolas estão em mal estado e para participar de campeonatos, as crianças fazem vaquinha entre si para pagar o aluguel do ônibus. “Muitas escolinhas do DF passam pela mesma situação, precisamos da ajuda do governo, o esporte e o lazer são importantes para a formação de um cidadão”, desabafa Tonhoca.

O técnico explica que o projeto precisa de patrocínio para seguir em frente. Qualquer um pode ajudar com materiais esportivos, lanches para os atletas e transporte.

 

COMO AJUDAR
Quem quiser ajudar o Ceilância Esporte Clube pode entrar em contato com Antônio Gomes, responsável pelo projeto, pelo telefone 8456-5074.

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