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Formando cidadãos através do futebol

Projeto do Guará utiliza esporte como instrumento de integração social

Augusto Fernandes
Especial para o Viver Sports

Em 2015, Adilson Bonfim e Robson Mourão estavam andando pela QE 5 do Guará 1, e perceberam que uma quadra de futebol sintético no local não estava sendo utilizada para a prática esportiva. Ao invés disso, o lugar tinha se tornado um ponto onde muitas pessoas utilizavam drogas.

Os dois notaram que isso incomodava os moradores da região. Sendo assim, eles decidiram transformar o local, e fazer dele um lugar para crianças e adolescentes praticarem futebol. Com a ajuda de outro amigo, Djalma Ramos, eles usaram do próprio dinheiro para reconstruir a quadra, e ao terminarem, criaram o projeto social ‘Os Meninos do Butantã 4’.

O nome foi escolhido graças a um dos mais conhecidos times de futebol amador da cidade, o Butantã. Entre 1980 e 1990, a equipe teve seus anos de glória no Guará. Já o número 4 significa a quarta geração do clube.

Sem fins lucrativos, os três idealizadores recebem meninos entre 9 e 17 anos de idade. O intuito do projeto, entretanto, vai muito além do futebol. Adilson, Robson e Djalma querem estimular bons comportamentos aos seus meninos. Durante os treinos, eles ensinam lições de caráter, comprometimento, disciplina e respeito ao próximo. “Usamos o futebol como instrumento de cidadania. Damos conselhos, palestras, entre outras atividades”, explica Djalma.

Além disso, os três tentam fazer com que as famílias de cada aluno se sintam parte do projeto, tanto que os pais comparecem em todos os treinos. Os idealizadores do projeto também organizam confraternizações a cada ano, e sempre convidam os familiares dos alunos. Para eles, é de extrema importância fazer com que os jovens se tornem bons cidadãos, e levem esse exemplo para dentro de casa. De acordo com Djalma, “queremos fazer com que esses jovens se aproximem cada vez mais das suas famílias, porque é cada vez comum casos de problemas familiares”.

Não é preciso pagar taxa de inscrição ou mensalidade para poder participar. Depois de procurarem os idealizadores, os meninos são analisados. Caso tenham o perfil do projeto, eles são aceitos. Depois disso, os jovens só precisam garantir que um responsável os acompanhará em cada treino.

Atualmente, são mais de 60 alunos que fazem parte do projeto. Mesmo com a grande quantidade de jovens, Adilson, Robson e Djalma arcam com todos os custos: uniformes, bolas, reformas na quadra, entre outras coisas. Algumas pessoas, sensibilizadas pela causa, fornecem ajuda de vez em quando. Para os treinos, eles têm o auxílio de um profissional de educação física.

Apesar de os times não participarem com frequência de torneios fora do Guará, os idealizadores do projeto promovem campeonatos internos. Independentemente do resultado e da classificação, todos são premiados ao fim das disputas. Segundo Djalma, o mais importante é ver que esses meninos estão tendo acesso ao esporte e mudando suas vidas.

“Para muitos, é a única oportunidade de eles praticarem futebol. Muitos dos nossos alunos já demonstraram algum tipo de mudança. O principal exemplo foi de um garoto que sofria bullying na escola, e precisava tomar remédios contra depressão. Depois que ele veio para cá, deixou de ser tímido, e participa bastante. Outra mãe nos contou uma vez que seu filho disse um ‘eu te amo’, coisa que não acontecia antes”, relata.

Devido ao papel que desempenha na vida dos jovens, Djalma pontua que é um grande desafio. “Me sinto muito feliz, mas também sei que preciso de muita responsabilidade. Nós temos que ser exemplo para esses meninos. Por isso, nos vigiamos muito. Tudo o que nós fazemos é pensando no futuro de cada um”, afirma.

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