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Metodologia brasileira ganha projeção internacional

O amor à modalidade levou o brasiliense Gabriel Pimentel a desenvolver seu próprio método

A história de Gabriel Pimentel é das mais improváveis de acontecer quando o assunto é o tênis. Ele começou a praticar a modalidade aos 14 anos de idade e, na opinião de todos da comunidade esportiva, muito tarde para se tornar um competidor de alto rendimento. Mas o amor e a dedicação fizeram com que o brasiliense se tornasse um grande jogador, chegando ao ranking da ATP, principal associação internacional de tênis. Não bastasse o sucesso como atleta, tornou-se consultor no esporte para atravessar fronteiras. Atualmente, com 30 anos, é consultor de biomecânica da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, presta seus serviços em outras academias de peso e a tenistas ranqueados no topo da ATP.

O amor à modalidade surgiu por influência de um amigo, que o levou para fazer uma aula-teste. “Compareci a uma aula experimental, nas antigas quadras de tênis do Defer. Na ocasião, havia outras 30 crianças”, cota Gabriel. A paixão foi imediata e ali começava a história de sucesso.

Iniciar no tênis aos 14 anos de idade é quase que uma sentença de que jamais se chegará ao esporte profissional. Porém, Gabriel conseguiu figurar entre os 50 melhores jogadores do Brasil e ser ranqueado na ATP.

Apesar do reduzido tempo até o fim da etapa juvenil, que se encerra no ano que o atleta faz dezoito anos, Gabriel chegou a ser o quarto melhor do Brasil em simples, e terminou como o melhor tenista juvenil de duplas do país.

Em curto espaço de tempo foi construída a fundação para a entrada no profissional, que começou em Santa Catarina. A sua carreira iniciou tendo como treinador o técnico Larri Passos e como companheiro de treinos, o tricampeão de Roland Garros, torneio Grand Slam nas quadras de saibro de Paris, e número um do mundo, Gustavo Küerten. Ambiente propício para o desenvolvimento de princípios e qualidades que fundamentam seu trabalho até os dias de hoje.

“Depois de uma temporada treinando em Balneário Camboriú, recebi o convite do Larri para integrar a sua equipe de competição, que incluía o Gustavo Kuerten (Guga). E lá dei meus primeiros passos na transição do juvenil para o profissional”, conta Gabriel.

Para o tenista, o aprendizado foi total. “Trabalhar junto a esses profissionais ditou o que era ética de trabalho. Mesmo nos dias ruins, manter uma mentalidade positiva e fazer o que tem que ser feito. Chova ou faça sol! Estar na presença desses gigantes do tênis me ensinou que a grandeza estava na simplicidade do dia-a-dia”. 

Maturidade para dar um passo maior

Embora tivesse todas as condições psicológicas e mentais para enfrentar o dificílimo circuito profissional e alcançar as suas posições mais altas no ranking, por conta de uma lesão prévia à entrada no esporte, foi impedido de continuar no esporte devido às dores que sentia. Era hora de tomar uma decisão importante e iniciar um novo estágio profissional em sua vida.

Sabendo ele que queria continuar ligado ao esporte que tanto ama, tratou de matricular-se no curso de Educação Física e, simultaneamente, em Engenharia Civil. Gabriel conseguiu com as duas graduações unir os princípios necessários à sua evolução como treinador. Mais importante ainda, desenvolver sua própria metodologia, o que o projetou internacionalmente.

Esse projeto de criação de um método próprio de ensino e de análise do tênis surgiu ao longo de sua carreira internacional, tendo analisado centros de treinamento ao redor do mundo e concluído que havia enormes lacunas não resolvidas nas escolas existentes.

Ele esteve na Alemanha, França, Suíça, Áustria, Portugal, Turquia, Espanha, Luxemburgo, várias cidades da Argentina e dos Estados Unidos, além, é claro, de conhecer profundamente a estrutura nacional das academias de tênis. Passou a estudar modelos australianos, russos, sérvios, entre outros. Era preciso conhecer profundamente o que existia no mercado antes de aplicar seus conhecimentos e criar suas próprias teorias.

O tenista conta que a engenharia, em especial, forneceu os conhecimentos específicos que atendiam aos seus anseios, que respondiam a todos os seus questionamentos de maneira irrefutável. A sua metodologia seria baseada em ciência, física e matemática, para explicar além das questões relativas à biomecânica de formação dos fundamentos técnicos. Também as táticas e estratégias do jogo viriam a ser analisados segundo critérios científicos altamente complexos, com aplicação de estatística e probabilidade.

Sucesso no Brasil e na Europa

Mesmo antes de se formar, já era um treinador com resultados expressivos no Brasil e na Europa, bem como criador do workshop “Engenharia Aplicada ao Tênis” apresentado na Suíça. Não foi surpresa ter recebido a sua primeira proposta de trabalho no exterior apenas duas semanas após ter se formado.

Interessado em divulgar sua metodologia em institutos que ajudariam a abrir as portas para o mercado internacional, Gabriel partiu para a Califórnia (EUA). Buscou instituições acadêmicas, centros de treinamento de alto rendimento e clubes. Sempre trazendo na bagagem o workshop apresentado na Suíça que havia lhe rendido uma bela carta de recomendação e a comprovação dos resultados obtidos como treinador.

Não tardou e logo começaram a aparecer interessados em sua metodologia. “Dentre eles, a Academia de Tênis Gorin, uma das dez melhores de competição do mundo; Academia Silicon Valley, que rendeu uma proposta de sociedade comercial; e na Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde me tornei um associado e consultor em Biomecânica”.

Seu primeiro compromisso internacional com a Universidade foi uma viagem com a sua equipe para o Grand Slam da Austrália, o Australian Open.

“Ser consultor em UC Berkeley foi uma grande realização e reconhecimento profissional, uma vez que me preparei uma vida inteira para estar na nata do esporte. Ter tal universidade requisitando meus serviços foi a chancela para o meu trabalho”, enaltece a conquista, o tenista brasiliense.

Com a repercussão da efetividade da aplicação de seus métodos, Gabriel foi solicitado como consultor por um duplista no topo do ranking da ATP, Andre Goransson. Seu trabalho, reconhecido pelo mesmo, foi responsável por uma escalada vertiginosa de 27 posições e por sua primeira vitória em um torneio ATP 250.

Seu último contrato de consultoria, no qual está atualmente trabalhando, é com o jogador Albert Ramos-Vinolas, que foi da elite do tênis mundial. Ele conta com os resultados advindos desta parceria para voltar a galgar os degraus mais altos do esporte. Voltar a se inserir entre os vinte melhores jogadores do mundo.

Sonho e realidade andam próximos

Os planos futuros do consultor e criador desta metodologia revolucionária para o tênis são de abrir o seu próprio centro de treinamento de atletas de alto rendimento nos Estados Unidos, bem como criar uma escola de formação de profissionais certificados, capazes de replicar estes conhecimentos e revolucionar o esporte.

O projeto já está bem adiantado e os resultados já são bem perceptíveis. “No meu centro de treinamento estamos implantando um conceito disruptivo de treinamento, onde os conceitos de engenharia são cerne da nossa metodologia. É o único no mundo que aplica esses conceitos. Felizmente, os resultados estão vindo e já estou trabalhando com um atleta de altíssimo nível que já foi número 17 do mundo”, conta Pimentel. 

E Gabriel acredita que conhecimento deve ser compartilhado. Para ele, essa é a chave do sucesso: “Montar uma equipe capacitada é o nosso foco para replicar essa metodologia e criar um ambiente propício para criar os campeões da nova geração”.

Com tanto amor ao tênis e com uma história de sucesso tanto nas quadras quanto na busca por conhecimento, não há dúvida de que o brasiliense Gabriel Pimentel desconstruiu alguns conceitos para mostrar ao mundo que o amor pelo esporte pode formar atletas de ponta, mas também formadores de campeões.

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