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Minas Icesp sofre, mas vence o Uirapuru-MT pelas quartas da Copa do Brasil de Futsal

Primeiro confronto das Quartas-de-final foi marcado por jogo morno e acusação de racismo por parte do técnico visitante após o apito final

Philipe Moreira
Especial para o Viver Sports

Na tarde do feriado de 7 de Setembro, a equipe do Minas Icesp recebeu o time do Uirapuru/Cáceres-MT, em jogo válido pelo primeiro duelo das quartas de final da III Copa do Brasil de Futsal Feminina. Com destaque para as grandes defesas da goleira Có, as “Minas” tiveram dificuldades de criar oportunidades, mas saíram vitoriosas no placar de 2 x 1. Os gol do Minas Icesp foram marcados por Jéh e Aninha. Pelo Uirapuru descontou a atleta Kerolayne. O duelo aconteceu no ginásio do Cruzeiro.

Crônica do jogo

No início da primeira etapa, as duas equipes buscaram aquele famoso estudo do adversário. Mostrando seu cartão de visitas, o Minas Icesp imprimia seu toque de bola rápido e buscando ocupar o campo ofensivo para as investidas. Por outro lado, o time do Uirapuru-MT ficou naquela famosa retranca, todo fechado atrás e esperando o erro adversário para sair no contra-ataque.

Em dificuldades, o Minas Icesp Brasília não conseguia chegar a pequena área e o jogo de estratégias favorecia o time visitante, que esperava certo a hora de dar o bote e subir em busca do ataque. Na busca desses erros, o Uirapuru-MT conseguiu por quatro vezes no primeiro tempo a chance de marcar.

Em algumas dessas oportunidades, o Minas Icesp Brasília errou o toque de bola na quadra de ataque e o Uirapuru-MT veio pra cima. A pivô saiu de cara com o gol e a goleira Có se agigantou e colocou a bola pra linha de fundo evitando o gol do time adversário.

Com dificuldades dentro de quadra, o técnico Kristoffe Matheus, do Minas Icesp, alterava sua equipe para sair do sufoco adversário e conseguir criar chances de gol. Porém, o Minas passou a errar as oportunidades e quando isso acontecia, a única forma de parar o contra ataque das atletas do Uirapuru-MT foi com a marcação de faltas táticas.

Após cometer a quinta falta coletiva, aos 19’40 do primeiro tempo, aconteceu uma falta para cobrança do tiro livre direto para o Uirapuru-MT, a atleta Kerolayne bateu forte e marcou o primeiro gol do jogo para sua equipe. Após o gol sofrido, o Minas Icesp Brasília tocou a bola e esperou o primeiro tempo acabar. Final do primeiro tempo: Minas Icesp 0 x 1 Uirapuru/Cáceres-MT.

Na volta para o segundo tempo, o Minas Icesp voltou diferente, com mais agressividade e velocidade sobre o adversário e o Uirapuru-MT fechou a casinha e procurou não levar gols para sair com a vitória fora de casa.

Com formação diferente, o Minas Icesp passou a ir pra cima e as entradas de Jeh e Aninha mudaram o panorama do jogo. Aos 3’47, as minas saíram em velocidade e em uma bonita jogada, Jéh recebeu a bola e chutou forte, empatando o duelo; 1 x 1.

O gol desestabilizou o Uirapuru-MT que passou a ter dificuldades de sair nos contra ataques e ficou somente na quadra defensiva vendo o minas trabalhar as jogadas. Pouco tempo depois, aos 8’18, aconteceu o segundo gol. Com toques rápidos, Suzana subiu pela esquerda e tocou para Aninha chutar na saída da goleira, virando o placar do jogo e colocando as minas na frente; Placar de momento: Minas Icesp 2 x 1 Uirapuru/Cáceres-MT.

Atrás do placar já não tendo mais posse de bola, o técnico Marcus Paulo, do Uirapuru-MT, resolveu colocar a formação de goleiro-linha para tentar reverter o placar e trabalhar um pouco mais a bola para buscar o empate. Boa parte das tentativas foram frustradas para as as conclusões, em algumas delas a bola parava nas defesas da goleira Có, em outras chances, o Minas aproveitava o erro mas não conseguia fazer o gol com chute de longa distância da quadra defensiva.

Na reta final de jogo, restando cerca de 2 minutos para o fim do jogo, o Minas Icesp cometeu uma falta perigosa, há poucos metros da grande área foi chance do Uirapuru-MT empatar o confronto. Enquanto a goleira Có estava ajeitando sua barreira e sem o soar da arbitragem, as atletas do Uirapuru-MT bateram a falta e a bola entrou. O árbitro Diego Almeida, ao ver o erro cometido pelo time visitante, invalidou o gol e pediu que se repetisse a cobrança da falta, que gerou revolta ao time do Uirapuru/MT e também ao Minas Icesp que ainda estava ajustando a barreira para a cobrança da falta.

Por reclamação acintosa, a atleta Janaina, do Uirapuru-MT foi advertida com cartão amarelo e teve que ser segura por suas companheiras até o reinicio do jogo. Na repetição da cobrança, o chute foi para fora e o jogo seguiu normalmente.

O duelo já estava chegando ao fim e o Uirapuru-MT já não teve mais forças para o empate. Já o Minas Icesp ficou com a posse de bola esperando o jogo acabar para selar a vitória no primeiro confronto das quartas de final. Placar final: Minas Icesp 2 x 1 Uirapuru/Cáceres-MT.

Confusão ao fim do jogo

Após o apito final, o técnico do Uirapuru-MT se dirigiu até arbitragem com ofensas e acabou sendo expulso. Em seguida, o mesmo começou a falar em tom de voz alto as seguintes palavras a comissão e atletas do Minas Icesp. “No jogo da volta vocês terão o tratamento que vocês merecem”, disse o treinador.

Ao ouvir as palavra do técnico do Uirapuru/MT, a comissão do Minas Icesp começou a bater boca com o treinador e o mesmo praticou ato de racismo a um membro da comissão técnica do Minas ao falar “cala a boca negão”. O gesto racista criou um grande bate boca e o treinador do Uirapuru foi tirado da quadra de jogo.

Após o ocorrido, membros da comissão técnica do Minas Icesp foram até a delegacia prestar queixa de racismo e ameaça cometido pelo treinador Marcus Paulo.

A diretora administrativa da Federação Brasiliense de Futsal estava no ginásio e acompanhou todo o ocorrido. Questionada sobre a postura da Febrasa quanto ao ato, Kátia Sleide respondeu: “A gente fica triste demais com esse tipo de ocorrência. Quando acontece longe da gente, já causa revolta. E acontecer tão próximo e com pessoas de nosso convívio e que temos muito respeito, causa, além da indignação, muita tristeza. Os árbitros e o representante da CBFS têm a obrigação de relatar os fatos e cabe à CBFS  tomar as devidas providências. Lembrando que não podemos condenar ninguém sem dar o direito à ampla defesa, mas esperamos que seja dada a devida importância ao ato e que seja feita justiça”, comentou Kátia Sleide.

Para a diretora, que também é jornalista do jornal Viver Sports, a reação da equipe do Uirapuru/Cárceres-MT foi muito estranha e parece que o time veio orientado a arrumar confusão.

“Não sei o que a atleta Janaína falou ao árbitro Diego, mas a reação dele foi aplicar o cartão amarelo e sem muita conversa. Quando terminou o jogo, a atleta parecia que estava possuída. Se revoltou e falou um monte de coisa nada a ver com o ocorrido no jogo: “eu sou mulher, tenho família, ele não pode me tratar assim. Tem de me explicar o motivo do cartão amarelo”. Isso ela falava aos berros. Não entendi nada. O técnico gritou que sabia que a arbitragem de Brasília não prestava que devia ter chamado de fora. Depois ofendeu o técnico do Minas com atos de racismo. Ameaçou toda a equipe do Minas, dizendo que lá terão o tratamento que merecem. Revoltou a todos, porque não havia razão para o show”, contou a diretora.

“Quanto ao jogo, foi um bom duelo, as duas equipes se respeitaram, se estudaram e o Minas Icesp Brasília saiu com a vitória apertada, mas venceu. Não precisa de nada do que ocorreu no fim da partida”, comenta Kátia Sleide.

O crime de racismo cometido dentro do ginásio causou indignação aos atletas, a arbitragem e torcedores que estavam presentes no ginásio e pouco tempo depois do fato ocorrido, o Minas Icesp publicou em suas redes sociais uma nota de repúdio com a seguinte imagem em campanha contra o racismo.

Créditos da fotos: Assessoria Minas Icesp

 

 

 

 

 

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