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Minas/Icesp ganha, mas não leva os pontos

Equipe foi punida por utilizar jogadora irregular na partida de abertura da Taça Brasília Campeão da Construção de Futsal

O Minas/Icesp venceu a primeira partida no Adulto Feminino da Taça Brasília Campeão da Construção de Futsal, dia 8 de abril, no ginásio da Portuguesa. Porém, o time não levará os pontos, pois foi punido por utilizar a atleta Suzana Kimberly Gomes, irregularmente, no jogo de abertura da competição, que é organizada pela Federação Brasiliense de Futebol de Salão (Febrasa).

A punição foi divulgada na quinta-feira (13/4), no boletim da categoria e no Ato Administrativo nº 1/2017, pela Diretoria Executiva da Febrasa. De acordo com o documento, a entidade recebeu denúncia (via telefone) de um membro da Apcef/Adef/Upis alertando para o ocorrido.

Ainda de acordo com o documento, a atleta não tinha a carta liberatória de seu antigo clube, no caso, a Apcef/Adef/Upis.

Desconforto

A punição gerou um desconforto enorme entre as duas equipes e a Febrasa. De um lado, a Apcef/Adef/Upis nega que tenha feito qualquer denúncia e pede retratação. De outro, o Minas/Icesp alega que o erro foi da Febrasa e que somente colocou a atleta em jogo porque recebeu a carteirinha e, como foi discutido no congresso técnico, a entidade somente emitirá o documento para atletas quando os mesmos tivessem condição de jogo.

De acordo com ofício divulgado pela Apcef/Adef/Upis, a entidade chamou a atenção da diretoria para a emissão de carteirinhas sem que algumas atletas tivessem, de fato, condição de jogo, como ocorreu com a própria entidade.

Tatiana Weysfield, técnica da Apcef/Adef/Upis, quer uma retratação da federação. “Acho que a federação errou ao dar as carteirinhas das atletas irregulares para os clubes. E isso foi o denunciado. E quanto a isso, a Febrasa não se manifestou”, lamenta Tatiana.

E finaliza: “O presidente deve se pautar na gestão do esporte sem causar atritos. É a primeira vez que vejo um presidente agindo no intuito de jogar uma equipe contra a outra para se isentar de uma responsabilidade administrativa que lhe cabe”.

Um dos envolvidos na emissão da carteirinha de atletas, Jânio Martins, superintendente Operacional da Febrasa, reconhece que realmente houve o erro, mas que todo o problema poderia ter sido evitado. “Se a atleta era da Apcef/Adef/Upis e as responsáveis sabiam que não havia dado a carta liberação, então, porque antes do jogo elas não alertaram à mesa, ou à diretoria, que estava presente no ginásio?”, questiona Jânio.

O superintendente faz questão de frisar que em momento algum emitiu as carteirinhas com a intenção de burlar o sistema. O que houve, segundo ele, foi um volume intenso de trabalho para regularizar a situação das equipes que participariam da competição e que acabou gerando tudo isso. “Não houve má-fé de qualquer um da entidade. Se houve má-fé foi de quem sabia que a atleta não tinha a liberação e esperou o jogo acontecer para, somente na segunda-feira, após o fim do expediente, ligar avisando que “a competição já começou com atleta jogando irregular”, pontua Jânio.

Catarina Passos, representante da Apcef/Adef/Upis, também lamenta a forma como o fato foi exposto pelo presidente Fábio Martins. “Nós não fizemos essa denúncia. Foi gerado um desconforto desnecessário entre as equipes filiadas e a Apcef ainda ficou mal vista. A Federação não deve liberar carteirinha de atleta que não está regular”.

Segundo a representante da Apcef/Adef/Upis, “a Febrasa prejudicou, e muito, a Apcef/Adef/Upis, uma vez que acentuou ainda mais uma rixa entre os filiados. A necessidade de se fazer cumprir o regulamento é da federação. Não há necessidade de jogar essa responsabilidade em um clube, principalmente porque nós não tivemos nada a ver com isso”, comenta Catarina.

Sobre a punição aplicada ao Minas/Icesp, conforme o Código Brasileiro de Justiça Disciplinar e o regulamento da competição, Tatiana Weysfield é categórica: “Acho que o regulamento e o CBJD devem ser cumpridos na íntegra, mas o presidente da federação deve parar de jogar a responsabilidade de cumprir o regulamento apenas para os clubes”.

Questionado pela reportagem sobre a emissão das carteirinhas sem que as atletas tivessem condições de jogo, Fábio Martins confirmou que houve a entrega das carteirinhas indevidamente. Segundo o presidente, o volume de trabalho foi intenso na semana que antecedeu a abertura da Taça Brasília Campeão da Construção de Futsal e isso pode ter contribuído para o ocorrido.

Ele não concorda com os membros da Apcef/Adef/Upis que negam que houve denúncia. Segundo o presidente, na segunda-feira, dia 10/4, às 16h02, recebeu uma ligação de Tatiana Weysfield, técnica da Apcef/Adef/Upis, na qual a mesma avisou que a competição já começou com participação de atleta irregular. O presidente afirmou desconhecer tal fato. Foi quando ela afirmou que a atleta Suzana pertencia à Apcef/Adef/Upis e o clube não havia emitido a carta liberatória.

Diante da informação, o presidente informou que iria apurar os fatos e se posicionaria a respeito do assunto. “Isso é ou não uma denúncia?”, questiona Fábio Martins. O presidente disse que apurou e verificou que realmente a atleta Suzana Kimberly, infelizmente, atuou, mesmo não tendo a carta liberatória.

Ainda de acordo com o presidente, a Febrasa enviou um email ao Minas/Icesp informando alguns nomes de atletas que não poderiam ser utilizadas naquela semana e também reforçou que todo e qualquer atleta que não tivesse a carta liberatória ou que tivesse cumprindo o estágio não poderia jogar.

O presidente não vê motivo para o chamado “desconforto” entre as equipes. “A Apcef/Adef/Upis recebeu carteirinhas de atletas que não poderiam jogar e não as colocou em quadra. Porém, a entidade nos chamou a atenção para o erro. Apuramos e constatamos que deveria ser corrigido e assim o fizemos. Não entendo porque as pessoas têm vergonha de apontar os erros. Em momento algum eu quis expor a Apcef/Adef/Upis ou qualquer um de seus membros. Apenas colocamos no Ato 01/2017 o que realmente ocorreu, afinal, uma das coisas que os filiados me pediram assim que assumimos a federação foi que mantivéssemos os atos em total transparência”, conta Fábio.

Ele estranha o fato de uma equipe perceber que houve um erro administrativo, a Febrasa corrigir, e causar todo esse desconforto. “Todo e qualquer filiado tem o direito e o dever de zelar pela lisura das competições na Febrasa, assim como nós, da diretoria executiva. Isso não é motivo para alarde. É preciso fazer a coisa certa e foi o que fizemos. Aplicamos o CBJD e o regulamento, conforme previsto”.

Fábio lamenta o ocorrido, mas reafirma que, de acordo com o § 3º do artigo 68 do regulamento da competição, “a inclusão de qualquer jogador ou membro da comissão sem condições de jogo será de única e exclusiva responsabilidade da equipe da Entidade participante da competição”. “Fizemos a coisa certa e ninguém deve ter receio de apontar alguma irregularidade dentro da Febrasa. Vivemos em outros tempos e como prometemos desde o início de nossa gestão, as coisas serão às claras”.

O presidente afirma que não acredita que o Minas/Icesp tenha colocado a atleta em quadra por maldade. “Temos total convicção que o Minas/Icesp não agiu de má-fé, contudo, teve a inclusão irregular da atleta e a diretoria executiva teve de punir, conforme manda o regulamento e o CBJD”, reafirma o presidente.

E reitera que só foi possível fazer tal correção, porque a atual gestão tem mantido um canal de comunicação aberto a todos que queiram contribuir com o crescimento da modalidade no Distrito Federal. “Essa diretoria tem trabalhado de forma imparcial para atender a todos que se mostram interessados no futsal, independentemente, de ser representante legal ou não de equipes, e que essas equipes sejam filiadas ou não. Atendemos a todos que nos procuram”, reforça Fábio.

Minas/Icesp lamenta o erro

Nayeri Albuquerque, presidente do Minas/Icesp, diz que não sabia que a atleta não tinha condição de jogo. A dirigente informa que confiou no processo, pois recebeu a carteirinha de Suzana no dia 4 de abril e que havia solicitado a carta liberatória no dia 20 de março, via e-mail.

Ela conta ainda que em 5 de janeiro recebeu um email da representante da Apcef/Adef/Upis afirmando que o procedimento da entidade este ano para a liberação de atletas seria de protocolar todas as liberações na sede da Febrasa. Como havia feito o pedido em 20 de março, acreditava que já estava resolvido quando recebeu a carteirinha, no dia 4 de abril.

Na quarta feira anterior à estreia da competição, Nayeri informa que conferiu junto à secretária da Febrasa, durante quase duas horas, a documentação das atletas de seu clube. “Ficamos por quase duas horas conferindo atleta por atleta e não verificamos irregularidades. Tanto é que não colocamos em jogo as atletas Rayane (Robinha), Ana Keyla, Katia Cilene, Luana do Sub-17, porque sabíamos que estavam cumprindo estágio liberatório. Jamais colocaríamos uma atleta irregular dentro de quadra”, ressalta a presidente.

Desde o dia 2 de fevereiro, a Suzana tem contrato com o Minas/Icesp, conforme informa Nayeri Albuquerque. “Estamos com a Suzana há algum tempo e inclusive disputamos toda a seletiva da Liga Universitária com ela defendendo o Minas/Icesp, em que tivemos a oportunidade de enfrentar o clube da Apcef/Adef/Upis três vezes e todas elas a Suzana estava em quadra”.

Ela estranha o fato de o clube anterior já saber que a atleta estava com o Minas/Icesp e não ter levado a carta liberatória à Febrasa, como afirmaram anteriormente sobre o procedimento da Apcef/Adef/Upis, via e-mail.

Nayeri afirma ainda que no e-mail que recebeu da Febrasa com a lista das atletas que não poderiam jogar não continha o nome de Suzana Kimberly, por isso achou que estava tudo certo e que o clube de origem havia entregue o documento que a liberava para o jogo.

Com relação à punição, a dirigente diz que a não ficou chateada pela entidade estar cumprindo o regulamento, mas, sim, como o problema foi levantado, como se o Minas tivesse agido de má-fé, o que não ocorreu. “Não ficamos chateadas com a federação, uma vez que ela fez cumprir o regulamento, embora tenham ocorrido erros administrativos. Mas queremos a veracidade do teor da denúncia”.

O presidente da Febrasa, Fábio Martins, reitera a todos que participam das competições organizadas pela entidade que o Estatuto Social, o regulamento das competições e o CBJD serão sempre cumpridos pela federação. “A Febrasa é a entidade máxima do futsal no Distrito Federal. Erros podem acontecer, mas não vamos nos privar de corrigir, sempre que for necessário, e cumprir todas as normas das competições organizadas por nós, assim como vamos fazer valer o estatuto para todos os filiados. As regras têm de valer para todos. Doa a quem doer”.