Futebol

Mulher, a garra do sexo nada frágil

Inquietações que fazem de muitas guerreiras da capital símbolos de garra e superação. Nessa lista, temos de citar Joanildes Henrique Silva Linhares, ilustre figura feminina no esporte amador do Distrito Federal
Joanildes Henrique é incansável quando o assunto é futebol de base. Ela está sempre pensando nos atletas

Quinta-feira (8/3) comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Muitas são as razões que explicam a necessidade de se ter uma data especial para elas, principalmente, por causa da discriminação que o sexo feminino sofreu durante séculos e, em alguns casos, ainda sofre.

Em várias áreas, o público feminino foi desprezado, preterido, humilhado e deixado de lado. Em algumas modalidades esportivas não tem sido diferente. Porém, há um grande número de mulheres que ignoram toda e qualquer situação descabida para se doar por completo às atividades de mudança social.

É impossível listar neste espaço os nomes femininos que trabalham pelo esporte da capital federal, mas a maranhense Joanildes Henrique Silva Linhas, 51 anos, moradora do Gama, é uma personagem que pode representar toda a força da mulher no Distrito Federal, pelo seu envolvimento com o esporte, em especial, com o futebol, buscando melhorias para os atletas.

Natural de Vitorino Freire-MA, Joanildes chegou ao Gama, em março de 1976. Ela conta que o começou foi muito difícil, pois além de deixar amigos para trás, a região era bastante isolada, distante de tudo. “No inicio achei difícil, pois me trouxe um vazio muito grande, mas, hoje, agradeço a Deus por ter vindo para essa cidade, que amo tanto. Aqui, fiz minha família, casei-me com Nivaldo Linhares e estamos juntos há 31 anos. Temos dois filhos maravilhosos (Daniel e Danilo) e, há pouco tempo, ganhei uma filha: Gabi, esposa do Danilo”, diz.

Conquistas pessoais à parte, Joanildes sempre foi apaixonada por esporte, tanto que o grande desejo era se tornar jogadora de futebol. Mas o sonho ficou para trás. “Casei-me muito cedo e grávida, então, tive de esquecer, mas passei a me dedicar a eventos esportivos, torneios de futebol, futsal”, conta Joanildes.

 

Ações e sonhos em prol dos atletas do DF

Jôanildes, com Santinho, Célio René e Jair Marinho, na final da Copa Brasília de Futebol de Base

Em fevereiro deste ano, Joanildes organizou a Copa Brasília de Futebol de Base, evento que teve o objetivo de trazer dirigentes de futebol em nível nacional para ver os talentos do Distrito Federal. “Tenho certeza que essa copa se tornará como a Copa São Paulo de Futebol de Juniores e Copa BH. Só assim, nossos atletas não vão mais precisar sair daqui para realizar o sonho de serem jogadores profissionais”, acredita.

Também estão entre seus projetos de vida buscar parceria para tornar a escolinha de futebol do Penharol uma empresa; e voltar a organizar grandes torneios de futsal na cidade.

Fazer da Copa Brasília de Futebol de Base uma competição nacional é um dos maiores sonhos de Joanildes. E também construir um centro de treinamento para a escola de futebol do Penharol

Ela encarou os desafios de trabalhar em uma área totalmente machista, mas nunca desistiu. Sua trajetória no esporte, principalmente no Gama é longa. Em 1984, Joanildes ajudou a fundar o Penharol, um dos mais populares clubes de futebol amador do DF. “É um grande orgulho que tenho, pois acredito que seja um trabalho de cunho preventivo e social, apostando que podemos ajudar esses meninos a se tornarem jogadores profissionais e também um craque da vida”.

 

Buscas incessantes e frustrações com a política

Em 2009, Joanildes Henrique foi diretora de Esporte e Lazer da Administração Regional do Gama, onde esteve à frente do trabalho por seis anos. Durante o período, colaborou na difusão de outros esportes, na execução de pequenas atividades esportivas e na produção de grandes eventos. “Em 2009, tive a honra de receber da Câmara Legislativa o título de Cidadã Honorária de Brasília, por reconhecimento ao trabalho realizado”, diz.

Uma das grandes frustrações da maranhense é com a falta de políticas voltadas ao esporte amador. “Em 2009, conseguimos trazer a Câmara Legislativa para uma audiência pública sobre o futebol amador. Era mais um sonho em busca de políticas definitivas que pudessem ajudar esporte de nossa cidade. Tínhamos a esperança de colocar os campeonatos da cidade no calendário esportivo do governo, com apoio financeiro. Também achávamos que conseguiríamos o assentamento definitivo dos campos na cidade, pois a região respira futebol. Mas foi tudo frustração”, descreve.

 

Esperança

Todas as regiões administrativas do DF buscam politicas permanentes e apoio do governo. Sabe-se que não é fácil, mas nem mesmo as dificuldades tiram dos envolvidos a esperança de dias melhores. Assim também acredita Joanildes.

A guerreira conta que confia nas Vilas Olímpicas como ferramentas de mudança no acolhimento das diversas modalidades esportivas em todo o DF. “Creio que se o governo fizer uma parceria com as faculdades de educação física, em busca de um mutirão em prol do esporte em Brasília, com certeza, seremos referência em revelação de novos talentos”

Ela também crê que a construção de pelo menos quatro campos sintéticos para o futebol amador em cada região contribui e muito com a comunidade, assim como se houver liberação de verbas para o calendário do futebol amador adulto e de base das cidades. Trabalhar é uma constante e por isso Joanildes bem representa as mulheres do DF que fazem pelo esporte e pelos jovens.

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