2015Editorial

O fim de uma história de dedicação e amor em prol da formação de cidadãos de bem

Recebi uma notícia nesta semana que me deixou triste e, ao mesmo tempo, com a sensação de impotência. O Cargeb, projeto que funciona no Setor P Sul, encerrará suas atividades por falta de patrocínio e apoio.

O trabalho é realizado em uma comunidade carente e auxilia muitas crianças por meio do esporte. Tira, literalmente, os jovens dos riscos sociais, como envolvimento com drogas e outros delitos. Além disso, ajuda a formar cidadãos de bem e que levam uma vida saudável por meio de prática esportiva.

Quando recebo uma notícia desta, coloco-me sempre diante de vários questionamentos que me fazem ir ao inferno e voltar. É uma sensação de inércia, mesmo sabendo que tentamos, de todas as formas, ajudar esses projetos sociais, nem que seja por meio de divulgação para que os comerciantes locais e até mesmo o governo se sensibilizem com a causa e demonstrem o mínimo de compromisso. Infelizmente, não conseguimos passar a essas pessoas o quão importante podem ser na vida dessas crianças.

Aliás, se pararmos para pensar, sensibilizar empresários e governo para as suas responsabilidades sociais no Brasil é quase impossível. De um lado, passamos por gestões que dificultam o quanto podem a vida de quem trabalha sério. Mas facilitam, que é uma maravilha, as ações de quem sabe roubar e dividir o bolo.

Por outro lado, faltam incentivos aos empresários para que possam apostar em causas sociais. Contudo, por mais que devesse haver contrapartida do governo para que empresas atuassem nas comunidades, também faltam bom senso, responsabilidade social e consciência para muitos empresários, que só apoiam se tiver retorno, ou seja, lucro e tem de ser muito lucro.

São esses empresários que apostam em investimentos altos para manterem-se seguros, para livrar seus estabelecimentos das ações de ladrões. Não sabem eles que poderiam ter evitado que muitos desses se perdessem no mundo do crime. Não, eles não têm essa noção, porque é muito mais fácil jogar uma criança fora que investir em sua formação por meio do esporte.

Vivemos em um país riquíssimo, tão rico que muitos se acham no direito de saquear os cofres públicos, como estamos acompanhando há anos, e mesmo assim, não sobra nada para quem quer trabalhar sério, para quem quer contribuir com a formação de cidadãos de bem. Vivemos em um país que prefere investir em prisões que em escolas. Vivemos em um país que acha mais viável novas construções que a manutenção.

É uma pena saber que um projeto tão importante vai se acabar e não tem nenhum político para ajudar. Aliás, teve um para ajudar a afundar. Fez promessas e não cumpriu. O nome está guardado e na hora certa vamos jogar aos quatro cantos. E é nessas horas que peço a Deus para não abrandar meu coração…

“Vivemos em um país riquíssimo e mesmo assim não sobra nada para quem quer trabalhar sério, para quem quer contribuir com a formação de cidadãos de bem. Uma pena ver o encerramento de um projeto social tão importante”

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