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O futsal como ferramenta de cidadania

Projeto socioeducativo em Taguatinga Sul liderado por treinador de futsal atende a 130 crianças e adolescentes. Objetivo é usar o esporte para tornar os jovens em cidadãos de bem

Augusto Fernandes
Especial para o Viver Sports

O treinador de futsal Wolney Giffoni, 55 anos, sempre acreditou que o esporte pode ser uma ferramenta de transformação social. Dentro desse universo, ele diz, cada criança e adolescente pode aprender a cultivar os valores mais importantes para qualquer ser humano: respeito, dignidade, companheirismo, comprometimento, entre tantos outros.

“Nós ajudamos a moldar o caráter de cada um dos jovens e a eles serem cidadãos de bem. Lá no futuro, eles se lembrarão que passaram por aqui e colheram bons frutos. Talvez eles não se tornem jogadores profissionais, mesmo assim, nunca se esquecerão do aprendizado que o esporte os proporcionou”, destacou Wolney.

Desde 2011, ele é o responsável por um projeto social em Taguatinga Sul. Hoje, mais de 100 meninos, entre 7 e 17 anos de idade, participam iniciativa. O programa foi Intitulado Vilabol Futsal, e atende a crianças e adolescentes que moram ou estudam perto da região. “Vivo em Taguatinga Sul desde 1979. Sempre me incomodei ao ver esses jovens jogando bola no meio da rua, se arriscando nesse ambiente de criminalidade. Por isso, arregacei as mangas e criei o projeto. Para mim, significa uma questão de honra. De ser útil para alguém. De deixar o legado de que fiz uma coisa boa para está comunidade”, afirmou Wolney.

As aulas acontecem toda semana, nas noites de terças e quintas-feiras. Para dar mais segurança aos alunos, Wolney conseguiu com que os treinos fossem realizados na Escola Classe 10, da QSD 18. “O trabalho é preventivo. Cobra disciplina, boas notas no colégio e respeito à família. Quem não tiver isso, não entra. A partir do momento em que você constrói credibilidade, ninguém tira isso de você. A personalidade é o aspecto mais valioso para cada ser humano”, observou o treinador.

Tudo é feito, na maioria das vezes, sem nenhuma ajuda financeira. Em alguns momentos, Wolney pede auxílio aos pais dos alunos para arcar com os custos de uma competição ou o transporte para as partidas da equipe. Mesmo assim, ele não se desanima. “É uma luta diária. Enquanto eu tiver saúde e disposição, estarei aqui, fazendo com amor. Eu também já fui menino e sei as dificuldades que eles passam. O que eu mais quero é dar um pouco de dignidade a cada um deles”, frisou.

Transformação

Gustavo Rosendo, 12, está projeto desde 2014. No Vilabol, ele encontrou um refúgio. “Ele tem vitiligo desde os 4 anos de idade. Sofria bullying e era motivo de piada entre os amigos. Fez outros esportes para tentar controlar, e também jogou em outras escolinhas, mas foi aqui que tudo mudou. Nesse tempo que o Gustavo participa do Vilabol, a doença passou a regredir. Esse projeto significa muito para ele. É como se fosse uma segunda casa. O coração do Gustavo está aqui”, contou a mãe do menino, Sara Rosendo, 34.

Sara destacou que o projeto representa uma grande família para todos. “Os meninos abraçaram a iniciativa. Os princípios pregados aqui são os mesmos que muitos pais cultivam dentro de casa, como responsabilidade e senso de coletivismo. São coisas que todos os alunos carregarão para a eternidade”, observou.

Para Gustavo, fazer parte do Vilabol é uma das suas maiores alegrias. “Aprendi que ganhar nem sempre é o mais importante, mas sim, se dedicar, não faltar aos treinos e respeitar os seus amigos. Temos um treinador que é como se fosse um pai. Ele cobra o nosso melhor e sempre está ao nosso lado para estender a mão”, frisou.

Competições

As categorias sub-17, sub-15 e sub-13 do Vilabol preparam-se para disputar o Torneio Arimateia, que começa neste domingo (16/12). Eliminados nas quartas-de-final de 2017, os alunos do sub-17 confiam em uma melhor campanha neste ano. “No ano passado, foi a primeira vez que jogamos. Não tínhamos tanto entrosamento e também estávamos nervosos pela estreia. Mas, agora, já sabemos como jogar esse torneio. Temos certeza de que chegaremos longe”, disse Geovane Saboia, 16.

Independentemente do resultado, no entanto, eles já se sentem vitoriosos por ter a oportunidade de fazer aquilo que mais gostam: jogar futsal. “Todos aqui sonham em se tornar profissionais. Graças ao projeto, passamos a acreditar ainda mais que isso é possível. É o começo de tudo. Pode abrir muitas portas para a gente”, ressaltou Daniel Miranda, 16.

Daqui em diante, a cada desafio, os adolescentes querem tirar as melhores lições. “O esporte nos ensina a crescer na vida e a sermos verdadeiros homens. Vamos persistir sempre e nunca desistir dos nossos sonhos. Caso aconteça alguma falha, vamos tomar isso como aprendizado e não abaixar a cabeça. Não é porque não alcançamos um objetivo, que seremos infelizes para sempre. Cada um é capaz de superar as adversidades”, concluiu Felipe do Nascimento, 15.

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