2013Editorial

Partidos políticos não são times

Kátia Sleide (Editora-chefe)
Kátia Sleide
(Editora-chefe)

Nesta edição, quero tratar de um assunto que poucas vezes é abordado na mídia, mas que é de extrema importância. Trata-se da “torcida partidária”. Nos últimos tempos, tenho observado e me envolvido em algumas discussões sobre acreditar em uma ideologia e torcer para um partido político. Posso estar errada, mas, até hoje, não consigo ver como correta essa relação.

Penso que quando vou às urnas, estou depositando em um determinado partido ou em um político meu voto de confiança. Acredito na ideologia apresentada e, por isso, estou preferindo um a outros. Ou seja, fiz escolhas em torno do que me foi proposto. E quando a pessoa que levou meu voto não cumpre com suas promessas e muda o que havia me convencido de que seria bom para a comunidade, posso, sim, e tenho o direito de cobrar.

Mais que direito, acho que tenho o dever, pois minha escolha vai interferir na vida de outras pessoas. Isso se chama responsabilidade com o próximo. Preciso entender que não sou um agente isolado no processo de democratização e, por isso, cobrar dos meus representantes a postura que me prometeram é um ato de responsabilidade.

Nos últimos tempos, tenho observado que os cidadãos ditos inteligentes, cultos e detentores das informações estão pensando que partido político é como time de futebol. Não é, mesmo! O meu time pode perder, fazer besteira em campo, sair de uma competição, que ficarei bastante chateada, muitas vezes, indignada, mas continuarei com meu time de coração. Isso é torcida.

Quando escolho e procuro convencer outros de que determinada plataforma política vai ao encontro do que acredito ser correto e necessário para a sociedade, estou entregando minha esperança nas mãos de alguém que receberá e muito bem para fazer as coisas acontecerem. Se essa pessoa não cumpre, tenho por responsabilidade falar sobre isso, cobrar os meus direitos e suas promessas. Se preciso for, mudarei meu voto. Não encaro como traição, mas, sim, como uma tentativa de corrigir o erro a que fui induzida a cometer. Isso é política.

Discursos inflamados não me convencerão do contrário. Sou uma cidadã responsável.

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