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Ricardo Vale garante que defenderá o esporte do DF

Foto: Divulgação
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Em entrevista ao jornal ViverSports, Ricardo Vale fala de seu trabalho para conquistar uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O distrital eleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) sabe da responsabilidade junto ao seguimento esportivo da cidade e alerta que não será fácil sua legislatura em prol do setor. E antes mesmo de tomar posse, já está empenhando esforços para garantir o pagamento do Programa Boleiros.

Como foi o seu trabalho nessa eleição para conseguir uma vaga na CLDF?

Somos um grupo político e fazemos um trabalho muito intenso em movimentos sociais no DF. É uma atuação muito antiga, na área de cultura e de esporte e com outras categorias de trabalhadores. E quando eu resolvi me candidatar, ouvi muito esses setores e eles me garantiram que dariam sustentação. É um projeto coletivo, que tem uma penetração muito grande junto a esses movimentos e eles abraçaram e apoiaram. O nosso mandato que já nasce com o compromisso de ouvir esses setores.

Você acha que os eleitores do seu irmão Paulo Tadeu migraram para sua candidatura?

Boa parte. O mandato do Paulo Tadeu sempre foi muito presente nesses seguimentos e como coordenei as quatro campanhas dele, conheço esses setores. Mas conseguimos ampliar também e trazer outros grupos que não eram do PT e nem próximos da gente e que acreditaram nesse projeto.  O resultado é essa vitória, muito difícil, suada, mas que deixa a gente muito feliz e com uma responsabilidade muito grande para tocar esse projeto.

Você é do meio esportivo e muitos desse seguimento acreditaram em seu trabalho. Como você pautará suas ações para atender o pessoal do esporte?

Digo à comunidade esportiva que as coisas continuarão sendo muito difíceis pra gente. Em nosso próprio governo, faltou política para o esporte. Infelizmente, o esporte e a cultura são tratados como dois instrumentos de segundo plano. Os governos não dão muita atenção e o desconhecimento é muito grande por parte dos gestores públicos e dos próprios deputados, por isso, a gente ainda terá muita dificuldade. Evidentemente que estaremos na Câmara Legislativa do DF (CLDF) debatendo e vamos pedir a união dos esportistas. Precisamos nos organizar para conseguir pressionar. Nosso mandato será um instrumento para esse seguimento, no sentido de fazer com que as políticas públicas para o esporte realmente aconteçam, que sejam tratadas com seriedade. Percebemos que as pessoas não priorizam o esporte, acham que não é importante, mas a gente que vive nesse meio sabe o quanto é primordial. Sabemos que não será fácil, mas precisamos mudar essa cultura.

Há alguma proposta dos dois candidatos que seguiram na disputa pelo GDF que dê a devida importância ao esporte?

Tenho muita preocupação com as propostas dos dois candidatos que aí estão. Não vejo nos programas de Frejat e Rollemberg projetos com prioridade na área de esporte. Por isso, acho que será difícil. E me preocupo também que os poucos avanços que tivemos andem para trás. Claro que estaremos lá, fazendo nossa defesa, chamando a atenção do governo para a área do esporte.

Faltou verba para o GDF pagar o Programa Boleiros e muitos campeonatos podem ficar no meio do caminho. Como você pode ajudar os peladeiros ainda este ano?

Por conta de um valor pequeno, acho que por volta de uns R$ 150 mil, os campeonatos podem parar. Isso prova que não é dado o devido tratamento ao esporte. Essas competições envolvem centenas de pessoas, comunidades inteiras e são muito importantes. Estou fazendo minha parte. Conversei com o ex-secretário de Esporte Julio Ribeiro, quero entrar em contato com o secretário de Esporte, Célio René, e vou tentar conversar com o governador. Não preciso esperar ir para a Câmara para agir. Acho que esse valor, por mais que o governo esteja sem dinheiro, é muito pequeno em relação ao orçamento geral. Qualquer deputado pode mandar uma emenda, a Secretaria de Esporte empenhar e resolver o problema. Não vejo dificuldade nenhuma. Mas é preciso que os gestores tenham esse entendimento, vontade de resolver. Ficar esperando que o governador consiga ou libere o recurso, não vai resolver. Há outros meios, podemos procurar os deputados que estão na CLDF, o que foram reeleitos para resolvermos isso. Já estou empenhado e farei de tudo para que muito rapidamente o problema esteja sanado.

Julio Ribeiro, outro distrital que levantou a bandeira do esporte, garantiu que unirá forças com você em prol da categoria. O que essa parceria pode render?

Com certeza, temos de estar juntos e não apenas nós dois. Vou procurar todos os deputados e explicar a eles a importância do esporte. Eles precisam saber que são gerados muitos empregos por conta do amador; milhares de jovens estão aí fazendo atividades sadias;  e também o esporte é uma instrumento poderosíssimo de inclusão social, de socialização nessas cidades. Então, os parlamentares que não conhecem, vão conhecer. Eu e o Julio temos de trabalhar nessa conscientização e não só dos deputados, mas também do próprio governo, para que ele dê a atenção que o esporte merece.

O Estádio Mané Garrincha custou caro para os cofres públicos. Fala-se muito na privatização dele, principalmente nesse período eleitoral. Você é contra ou a favor?

Sou contra a privatização. O estádio foi custeado com recursos públicos e o Estado é que tem de tomar conta. O que precisa é criar atividades e condições para mantê-lo. Ali é uma arena multiuso e os eventos têm de trazer recursos para custeá-lo. É só querer. Essa história de que só o privado dá conta, não é verdade. O próprio poder público pode ter condições de fazer que o estádio seja rentável e que não onere os cofres públicos. A privatização acaba afastando o público que não tem condições financeiras. Jogar na mão da iniciativa privada pode ser um prejuízo muito grande, principalmente para as camadas mais pobres.

A Federação Brasiliense de Futebol fica com 5% da renda dos jogos do Estádio Mané Garrincha. Para você, qual o papel da entidade com o futebol amador?

Deveria ter um olhar mais atencioso, mas ela não dá conta de cuidar nem do profissional do DF, que não cresce, não vai pra frente. Realmente, os jogos do Campeonato Brasileiro trouxeram muitos recursos para a FBF, chegaram um pouco para os clubes, que não tiveram de pagar arbitragem e uma série de outras taxas em função desses recursos. Porém, se o estádio for bem aproveitado, se a Secretaria de Esporte arrumar uma forma de cuidar da arena e trouxer eventos que possam fazer com o Mané Garrincha seja rentável para o futebol amador e para o profissional, isso será muito bom para a população. E dá pra fazer. Vamos ver qual será a política do próximo governador para o estádio, porém, se for bem administrado, é possível que chegue mais recursos.

No DF, com exceção do Mané Garrincha, os demais estádios são administrados pelas RA’s, e cada uma age como quer. Como mudar essa realidade, quando você estiver na CLDF?

Acho que os estádios deveriam ser administrados pela Secretaria de Esportes, porque as administrações não têm recursos, nem pessoal, ou a mínima condição de mexer com os estádios. Sou presidente do Sobradinho e sei que a administração da cidade faz o possível, mas não dá conta. Precisamos criar mecanismos na CLDF para fazer com que esses estádios saiam das mãos das administrações e passem a ser administrados pela Secretaria de Esporte.

E acho que poderíamos ir além, ter parcerias público-privadas para recuperá-los, pois são precários, antigos. Precisamos de um projeto para criar condições para ajudar a recuperar e ajudar a melhorar os espaços esportivos do DF, que são muito obsoletos.

Um recado para seus eleitores:

Quero agradecer a todos os eleitores que confiaram em nosso projeto. Pode ter certeza que não vamos decepcionar. Será um mandato muito voltado para o seguimento esportivo, com seriedade e sem prometer coisas impossíveis. Sei que não será fácil, pois existe um problema cultural para se quebrar, além de que precisamos levar um olhar mais carinhoso e cuidadoso para o esporte dessa cidade. Estaremos lá, fazendo a defesa. Sou muito grato pelo apoio do pessoal do futebol amador, do profissional e de outras categorias e modalidades esportivas. Podem me cobrar e ter a certeza que a população do DF tem um deputado que fará a defesa do esporte como ninguém nunca fez nessa cidade.

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Um comentário

  1. O Cara esteve junto com o irmão, e como eles mesmo dizem, mandaram no governo e não fizeram nenhuma politica para o esporte. Agora vem com esse tom critico. Tá de brincadeira. Porque não fez o que está dizendo?

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