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Talentos pedem apoio

Na mesma época em que se prepara para receber grandes eventos esportivos como a Copa das Confederações, do Mundo e Olimpíadas, o Brasil sofre com a falta de investimentos nos talentos natos, principalmente quando se trata de atletas com deficiência auditiva.

A Sociedade Esportiva dos Surdos de Samambaia (SESS) vem tentando mudar a realidade de seus atletas, com um trabalho de integração social e esportiva. A instituição busca talentos entre a parcela de surdos não só da Samambaia, mas de todo o DF, porém, as dificuldades são muitas, dentre elas a falta de patrocínio e de profissionais técnicos para treinar as equipes.

No DF há, aproximadamente, 50 mil surdos, segundo a Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes. Com o objetivo de profissionalizar atletas e levar os competidores surdos para disputar campeonatos importantes como as Surdolimpiadas (Deaflympics), Vanderley Pereira de Oliveira, 26 anos, fundou a Sociedade Esportiva dos surdos de Samambaia (SESS), em 7 de outubro de 2012, hoje, com 34 associados.

A SESS oferece, atualmente, futsal, vôlei de praia e natação, mas, precisa de mais associados e especialistas para ampliar a oferta de modalidades. “Conforme o grupo for crescendo e o interesse de voluntários de educação física para ajudá-los, a intenção é trabalhar com outras frentes no esporte, ampliando a oferta a seus associados”, afirma Fátima Ferreira Moura, 50 anos, uma das grandes apoiadoras do projeto e mãe de Vanderley Pereira.

Barreiras

A SESS ainda não possui sede própria e as reuniões ocorrem em praças de alimentações de shoppings e loocais públicos, como no Parque da Cidade. Fátima tem ajudado como pode, inclusive, saindo de casa para ceder espaço ao grupo.

Segundo Fátima, a Confederação Brasileira Desportiva dos Surdos (CBDS) promove competições regionais e nacionais. A SESS tem atletas talentosos e comprometidos com o esporte, que não conseguem competir devido ao nível técnico. “Se houvesse patrocínio, teria um profissional para orientá-los e, consequentemente, aumentaria o rendimento deles. Sem falar que há dificuldades até para se inscrever, pois para competir profissionalmente são exigidos alguns exames de audiometria específicos que são muito caros”, conta.

Voluntários

Uma das preocupações dos familiares dos atletas é que eles não têm orientação de nenhum profissional de educação física. “Fico muito apreensiva, com medo de eles machucarem, pois fazem tudo por conta própria, sem nenhuma orientação”, lamenta Fátima.

Ela afirma ainda que existem boas instalações em algumas vilas olímpicas e que eles conseguiram a liberação do local, porém, fica inviável o treinamento, devido a certas exigências. “Quando, por exemplo, a direção de uma instituição permite o uso da piscina para treino somente se houver um salva vidas à disposição contratado pela equipe, a coisa se complica. Eles não têm como tirar do bolso para custear com profissionais”, relata.

Conquistas

Mesmo com tão pouco tempo de existência, a Sociedade Esportiva dos Surdos da Samambaia entra no cenário esportivo para brigar por títulos e já possui alguns, como na natação e no brasiliense do vôlei feminino. Uma das jogadoras do time de vôlei, Renata Rezende, 30 anos, comemora a conquista. “Fico muito feliz e orgulhosa com o título. Sinto que a SESS é uma grande família”, revela a jogadora.

Além de promover a descoberta de novos talentos no esporte, a instituição também se preocupa com a vida social dos atletas, visando uma proximidade com suas famílias. Para isso, a SESS promove curso de libras para que possa melhorar a comunicação e relacionamento dos familiares dos surdos.

Como ajudar

A diretoria da Sociedade Esportiva dos Surdos de Samambaia (SESS) continua em busca de parcerias e patrocínios para seguir com o trabalho junto aos atletas. Quem quiser ajudar, entre em contato por meio dos telefones: 3045-8232, 8485-1359 e 8100-8561. A instituição necessita, em primeiro lugar, de voluntários de preparação física que possam orientá-los em várias modalidades. Patrocínios em forma de dinheiro também ajudam na contratação desses profissionais, assim como na aquisição de material esportivo para o desenvolvimento do trabalho.

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