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Trabalho reconhecido nas urnas

JulioRibeiroO jornal ViverSports entrevistou Julio Cesar Ribeiro, ex-secretário de Esporte do Distrito Federal, eleito deputado distrital, com quase 30 mil votos, o parlamentar mais votado para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Ele fala de sua caminhada para chegar à CLDF e de suas pretensões como distrital, para a legislatura que vai de 2015 a 2018.

Após as eleições, muitos perguntavam nas redes sociais quem é esse Julio Ribeiro, campeão de votos para deputado distrital? Você pode dar essa resposta aos que não te conhecem?

Vim de São Bernardo do Campo, São Paulo. Trabalhei por dez anos, em meios de comunicação – na Rede Record de Televisão, na Bahia; Santa Catarina; e Rio de Janeiro; fui diretor executivo da rede mulher de TV, em São Paulo –. Também atuei como empresário do ramo de segurança patrimonial. Em 2012, fui convidado para vir para Brasília, assumir a Secretaria Adjunta de Esporte do DF. Em setembro do mesmo ano, assumi a Secretaria de Esporte, onde fiquei até março de 2014. Sou formado em direito e, inclusive, o exame da Ordem foi tirado aqui em Brasília.

Durante dois anos que estive à frente da Secretaria de Esporte, trabalhei em prol do esporte e dos atletas. Tenho a consciência de que não resolvemos tudo, mas que demos uma grande contribuição para que o esporte de Brasília fosse valorizado, isso, sem dúvida.

Quantos eventos esportivos você foi, em média, nos fins de semana, nesses dois anos à frente da Secretaria de Esporte?

Esse foi o diferencial do nosso trabalho. Observamos que a maioria dos secretários gosta de despachar do gabinete. Pela experiência que tinha pelo trabalho nos meios de comunicação, vi que governo que dava certo era o governo que estava na rua. E sempre estive perto da comunidade, dos atletas. Nos fins de semana, abdicava da minha família, do meu descanso, para estar lá, no campo de futebol, na quadra esportiva e em outros eventos esportivos. Então, no fim de semana, acredito que passávamos em uns 15 ou 20 eventos esportivos, até mesmo para conhecer a necessidade e valorizar os atletas, porque quando eles viam que Estado estava presente, era um ânimo a mais para eles.

Você é da Igreja Universal e não se pode negar que os fieis foram muito importantes em sua eleição. Mesmo assim, você acha que o pessoal do esporte abraçou sua candidatura?

Claro que não vou deixar de agradecer e enaltecer a confiança do pessoal das igrejas. Eles abraçaram a causa e viram em minha candidatura a possibilidade de colocar uma pessoa séria na CLDF. Mas fomos recebidos com carinho pelos atletas de várias modalidades esportivas, pelas federações e tantos outros em nossas palestras. E quando a gente chegava, eles falavam: “esse é diferente, porque ele não está vindo aqui agora”. Sabemos que os políticos se apresentam apenas nessa época de campanha. E eles diziam: “Não, o Julio eu já conheço, porque ele esteve aqui em tal data”. Não tenho dúvida que os evangélicos abraçaram minha candidatura, mas o esporte foi demais. Não teve um segmento esportivo que não me abraçou. Foi sensacional. Só tenho a agradecer o povo por acreditar.

 

Sua legislatura começa em 1º de janeiro. O que o pessoal do esporte pode esperar de você?

O mesmo empenho, a mesma dedicação, ampliações de todos os programas que temos na Secretaria de Esporte e novas políticas que queremos implementar. Nós sofremos na pele as dificuldades. Muitas vezes, não conseguimos ajudar mais porque não tínhamos condições financeiras e estrutura para tal. Eu sempre dizia que a maioria do dinheiro público, principalmente das emendas, era destinada a eventos culturais e, dificilmente, você via um deputado colocar algum recurso para o esporte ou lutar pelo esporte. Uma das minhas bandeiras é que o esporte seja valorizado. Quando estivermos lá na CLDF, decidindo o orçamento, quero brigar pelo esporte, que traz saúde, tira jovens da rua. Quero ampliar o Compete Brasília. Em 2013, mais de três mil atletas foram beneficiados. Sabemos que em 2014, o número já está próximo de 4 mil. Queremos também aumentar o Programa Boleiros, pois vimos que custear a arbitragem de 8 mil jogos é insuficiente. É preciso aumentar o valor que se paga para os árbitros, para que eles tenham mais motivação, assim como desejamos conquistar mais atributos dentro do programa boleiros, como premiação. Estou vendo tudo isso.

Como ficarão as categorias de base nas diversas modalidades esportivas?

Atenção total. Tem um exemplo belíssimo quanto a isso. Quando cheguei, em 2012, as meninas da ginástica artística treinavam em lugares precários, no ginásio Nilson Nelson. Eu abracei aquele projeto, enquanto muitos diziam que não tinha futuro,mas conseguimos coloca-las para fazer apresentação no jogo de basquete, no UniCeub, e de lá para cá, foram muitas ações. Elas foram para os EUA, com tudo pago. Foram este ano para a  França, tudo custeado pela Secretaria de Esporte. Conseguimos inaugurar, no início de outubro, um centro de excelência da ginástica artística, com todos os equipamentos internacionais, porque trabalhamos para buscar isso, mostramos ao Ministério do Esporte que a gente tem de investir na base. E vamos buscar isso para outras modalidades que não têm esse apoio, como o patins, o bicicross e outras que precisam de incentivos. E a gente quer, como representante do esporte dentro da CLDF, poder ajudar mais. É um absurdo ver grandes atletas saindo do DF para outros estados, porque outros estados dão condições e o DF, não. Temos aqui o BRB e a Terracap que têm de investir no esporte e não ficar gastando com eventos gigantescos.

Ano passado, conversei com o pessoal do UFC, inclusive o Dana White, para trazer o evento para Brasília. Fechamos com a organização em novembro e o evento ocorreu em outubro deste ano. O Estado não teve de pagar nada para o UFC. Ao contrário, o UFC teve de pagar para a Secretaria de Esporte a taxa de utilização do ginásio Nilson Nelson durante os dias que eles ocuparam. Eles já ganham com as publicidades, PPV, então porque o Estado tem de pagar? Temos de parar com isso. Mostramos que Brasília tem condições de receber e eles podem trazer seus eventos e ganhar daquilo que vai acontecer, não receber do Estado para isso. O Estado tem de investir na base, pagar os campeonatos amadores, as premiações, as arbitragens, construir centros de excelência. É por isso que vou lutar e o pessoal do esporte pode ter certeza que, juntamente a outros distritais que são amantes do esporte, vamos unir forças para fazer bem mais.

O Estádio Mané Garrincha custou quase R$ 2 bilhões para os cofres públicos e se tornou uma joia do Cerrado. Fala-se, ultimamente, em privatiza-lo? Você concorda?

Sou contra. Já se gastou esse tanto e agora a gente vai entregar de mãos beijadas à iniciativa privada? Agora é que temos de colher os frutos. Foi tão criticado, tão falado, positivamente e negativamente, então, chegou a hora de colher. Qualquer time de futebol que vem jogar aqui tem de pagar uma taxa pela utilização do estádio. Geralmente, os times que vêm, têm torcidas gigantescas. Então, é hora de usufruir. Sou contra a privatização, como sou a favor que a FBF, que recebe um percentual dessa renda (5%), tem de investir essa renda na base. Quero que a entidade seja mais atuante, pois com  o valor que ela recebeu até hoje de todos os jogos, a entidade tem condições de trabalhar a base e fazer com que Brasília tenha um dos melhores campeonatos regionais e ainda ajudar a base. Para se ter uma ideia, o primeiro jogo do novo Mané Garrincha, em 26/5/2013, Flamengo x Santos, pelo Brasileirão, arrecadou R$ 6.948.710. Desses, 5% foi para a Federação Brasiliense de Futebol, o que corresponde a aproximadamente R$ 347 mil. Isso é o valor de apenas um jogo. Quantos não já ocorreram? Eles ainda cobram dos times e tendo dinheiro. Se não tivesse, tudo bem, mas a FBF tem dinheiro.

Para finalizar, qual recado você mandaria a seus eleitores?

Quero agradecer, primeiramente, a Deus. Se não fosse a permissão Dele, não teríamos essa votação tão expressiva. Minha esposa, que sempre está ao meu lado. Nesses 180 dias, ela esteve sempre comigo. Estamos há 20 anos casados e ela sempre me apoiou. Agradeço a todos que acreditaram em meu trabalho e também ao ViverSports, por divulgar o trabalho da Secretaria de Esporte, pois você viu que realmente queríamos mostrar que Brasília está preparada e tem condições, assim como agradeço a todos os meios de comunicação que nos apoiaram. Os atletas podem esperar que terão um deputado totalmente diferente. Não quero ficar preso dentro da Câmara Legislativa do DF. Quero dar continuidade a esse trabalho e estarei próximo das pessoas. Meu gabinete estará sempre aberto para atender, como sempre fiz. Darei continuidade ao meu trabalho e, daqui a quatro anos, desejo ser aprovado pelos eleitores para continuar a luta pelo esporte.

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