2014Editorial

Um evento pode ser o culpado pelas mazelas do Brasil?

Kátia Sleide Editora-chefe
Kátia Sleide
Editora-chefe

Desde 1978, assisto aos jogos da Copa do Mundo. Lembro-me com menos detalhes do evento realizado na Argentina (1978). Mas de 1982 para cá, minha memória é bem viva quanto aos demais mundiais (1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010).

E não houve um ano de Copa do Mundo que eu não tenha estampado, orgulhosamente, as cores da bandeira do meu país em minha casa, roupas, carros, ruas, unhas e cabelos. Torci muito, chorei um bocado, gritei em demasia. E também comemorei efusivamente as conquistas de 1994 e 2002.

Neste ano, a Copa do Mundo, que tem sua abertura em 12 de junho, será no meu país e é claro que torcerei com mais garra ainda para a Seleção Brasileira. Porém, muitas coisas no Brasil não conseguem ser colocadas no lugar e com o fato de a competição ser realizada aqui e ter gerado muitos gastos, o povo brasileiro se mostra ainda tímido quanto à torcida.

Motivos a Nação tem de sobra, pois os gastos foram exorbitantes. Mas quer saber a real: se não fosse a Copa do Mundo, teriam feito o mesmo, como fazem todos os anos, há décadas, com obras superfaturadas, com desvio de destinação de verba, com salários acima do teto e tantos outros artifícios que usam no Brasil para aplicar o dinheiro público em benefício de poucos.

Por isso, quero apenas deixar bem claro aos mais exaltados que vou acompanhar o evento em meu país com o mesmo entusiasmo que acompanhei em outros anos, quando foram realizados lá fora. Não me impeçam de vibrar, de pintar o cabelo de verde-e-amarelo, de usar as unhas com as cores da bandeira do meu país e de torcer fervorosamente para que o Brasil seja hexacampeão mundial.

Farei porque não acredito que se a Copa do Mundo de 2014 fosse em outro país, a saúde, a educação, a mobilidade urbana, o transporte público e tantas outras demandas estariam resolvidos. Não culpem o evento, que roda o mundo há 84 anos (Uruguai, 1930; Itália, 1934; França, 1938; Brasil, 1950; Suíça, 1954; Suécia, 1958; Chile, 1962; Inglaterra, 1966; México, 1970; Alemanha Ocidental, 1974; Argentina, 1978; Espanha, 1982; México, 1986; Itália, 1990; Estados Unidos, 1994; França, 1998; Coreia do Sul/Japão, 2002; Alemanha, 2006; África do Sul, 2010). A culpa é de nossos governantes.

Embora eu acredite que a melhor oportunidade para protestar virá três meses depois, nas urnas, há convocações para manifestações em todo o Brasil. Então, ficam algumas dicas: 1) não tire das pessoas o direito de ir e vir; 2) não impeça os demais de torcerem, de ir às ruas festejar; 3) não use o seu direito de se manifestar para dar voz à meia dúzia de interesseiros que estão de olho nas próximas eleições; e 4) comporte-se como um cidadão e não como um animal irracional.

E que comece a Copa do Mundo, pois estarei na torcida pelo hexa!

“Tivemos chance de evitar que a Copa do Mundo se realizasse aqui e não o fizemos. Agora, o evento é uma realidade e teremos de ter educação para receber nossos convidados”

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