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Um gol de placa para o esporte

Cresspom faz parceria com a Faculdade Mauá pensando na formação de seus atletas de alto rendimento

Kátia Sleide

Aliar educação e esporte é o sonho de grande parte dos esportistas brasileiros. Infelizmente, no Brasil, quase nunca isso é possível, o que dificulta a vida de atletas de alto rendimento. Porém, essa realidade está sendo mudada, pelo menos para o Cresspom. O clube encontrou na Faculdade Mauá um parceiro de peso para dar oportunidade aos seus atletas e ajudá-los também na formação profissional.

A iniciativa da parceria partiu de dois esportistas que conhecem bem o caminho tortuoso de quem quer se dedicar ao esporte no Brasil. Um deles é lutador de Tae Kwon Do Phelipe Azevedo; e o outro é atleta de futsal do Cresspom, Felipe Santos. Os dois se conhecem desde criança, embora sejam de modalidades diferentes.

Phelipe Azevedo coleciona títulos na carreira de lutador. Participou de competições nacionais e internacionais. A carreira como atleta se encerrou há dois anos, mas ele quer ajudar os mais novos a traçar um futuro promissor. “Encerrei minha carreira no auge, porque quero ser lembrado pelo que já fiz, mas darei minha contribuição do outro lado. Estamos assumindo a Coordenação de Esportes da Mauá, com o intuito de dar oportunidade aos atletas que não têm incentivo”, comenta Phelipe.

O lutador sabe o quanto a falta de apoio pode desestimular a continuidade do cidadão no esporte e, pensando nisso, juntou-se a Felipe Santos, atleta de futsal do Cresspom para elaborarem um projeto que viesse ao encontro do que consideram ideal.

Felipe Santos, um dos idealizadores do projeto, vive a dura realidade da falta de apoio ao esporte, seja individual ou coletivo, mas é grato à oportunidade que teve no passado e que o ajudou em sua formação. “Se hoje eu tenho uma graduação, da mesma forma que o Phelipe Azevedo, é porque nós fomos contemplados por um projeto parecido. Ainda atuo e vejo as dificuldades que existem. A vida de atleta é curta e é preciso pensar na vida pós-esporte. Queremos dar acesso aos que não têm essa oportunidade para que eles possam ter uma carreira após a vida útil no esporte”, comenta Felipe Santos.

O jogador de futsal conta que apresentar o projeto ao Cresspom foi uma honra, porque o clube já tem um grande custo com outros atletas, futebol e futsal feminino e do futsal masculino. “Mas foi importante e gratificante mostrar ao presidente que o clube poderá oferecer algo além do financeiro, propriamente dito. O clube, além de dar oportunidade a esses atletas de participar de competições de alto rendimento, poderá oferecer também a oportunidade a eles de fazerem uma graduação”, conta Felipe.

Para Felipe, “o mais importante disso tudo é saber que boa parte dos atletas do Cresspom, seja no feminino ou no masculino, poderá se preparar para o mercado de trabalho e também se dedicar ao esporte”.

Felipe Santos, Pedro Leitão e Phelipe Azevedo

Mauá valoriza o social

Felipe Santos e Phelipe Azevedo encontraram no diretor administrativo da Faculdade Mauá, Pedro Leitão, e no diretor comercial, Rogério Granjeiro, o apoio necessário para desenvolver, adequar, apresentar e aprovar o projeto.

“Eles foram meus alunos e estavam empolgados com o projeto. De um lado, o Phelipe Azevedo, que sabe das dificuldades do esporte individual. De outro, o Felipe Santos, que tem a experiência com o esporte coletivo. E foi muito bom o Phelipe abraçar essa ideia para o esporte coletivo, ou seja, para o Cresspom, pois a viabilidade do projeto é melhor com o coletivo”, comenta Pedro Leitão.

O diretor administrativo conta que a Faculdade Mauá tem quatro unidades presenciais – Águas Lindas, Comercial Norte, Vicente Pires e no Gama. E mais oito polos com ensino a distância. Segundo Pedro, para a instituição, ver o nome dela sendo divulgado é muito bom, mas o social fala muito mais alto. “A faculdade Mauá não pensa apenas na questão do marketing, na questão comercial. Sabemos de nossa responsabilidade com o social. A Faculdade Mauá cumpre sua missão quando ela consegue alcançar esse objetivo que é poder dar oportunidade a atletas e famílias de atletas para conseguirem mudar de vida”, afirma Pedro.

E complementa: “Divulgar a marca da Mauá é muito importante para a gente. Somos uma empresa que tem fins lucrativos e precisamos disso, mas o lado social também tem grande valia pra gente”.

Rogério Granjeiro, diretor comercial da Faculdade Mauá, também compartilha do mesmo pensamento de Pedro Leitão. “O principal objetivo da instituição é dar sua parcela de contribuição para uma formação cultural e profissional à sociedade. Vimos no Cresspom mais uma ferramenta para alcançar um público desportista que, muitas vezes, não tem a oportunidade de se profissionalizar devido aos inúmeros compromissos. Associamos o rendimento esportivo desses atletas às bolsas de estudo, para que ao terminarem a carreira desportista, tenham mais uma possibilidade no mercado de trabalho, ou paralelamente”, reitera Rogério Granjeiro.

Parceria Cresspom/Mauá: uma via de mão dupla

A princípio, a Faculdade Mauá disponibilizará apenas bolsas para graduação e na área que o atleta desejar atuar, desde que a instituição tenha o curso em questão. Para quem sente na pele a dificuldade de apoio para o esporte e para a formação profissional pensando na vida pós-esporte, a parceria veio como um grande incentivo.

Matheus de Carvalho, atleta clube há mais de um ano, comemora: “A parceria que o Cresspom fez com a Faculdade Mauá é uma possibilidade muito bacana de os atletas terem a oportunidade de fazer uma graduação, porque, muitas vezes, alguns não podem arcar com os custos do ensino superior. E, ao mesmo tempo, é um incentivo não só para a progressão do esporte, mas também da educação como um todo”, pontua o atleta.

Segundo ele, a iniciativa vai muito mais além: “A iniciativa da Faculdade Mauá de firmar essa parceria com um time de futsal abre um leque de ótimas possibilidades para os dois lados”, finaliza Matheus.

Munim, Almeida, Felipe Santos e Matheus Carvalho

A voz da experiência

Luiz Pereira de Almeida, treinador do Cresspom Futsal há 18 anos também comemora a iniciativa. Segundo ele, é um momento muito especial estar na instituição e participar desse momento. “Vejo os atletas renovando o interesse pelo estudo. Vejo brilho nos olhos, principalmente dos mais novos, que tem possibilidade de estar estudando e também disputando um campeonato universitário. Há muito tempo o Cresspom não participa de uma competição universitária e agora será possível. Temos em nosso elenco atletas como o Carlos Henrique, o Munim, que já foi campeão brasileiro universitário e sabe a importância”, ressalta Almeida.

Para o treinador, graças à parceria, os novos e os mais velhos terão a oportunidade de estudar. “É mais um incentivo aos atletas, porque aqui em Brasília precisa de muito incentivo para poder estar participando dessa modalidade. É com muita gratidão que venho falar sobre esse assunto. Muito obrigada à Faculdade Mauá por fazer essa parceria com o Cresspom”, acrescenta Almeida.

O atleta Carlos Henrique Munim, 35 anos, é um dos mais experientes da equipe do Cresspom. Com 23 anos atuando na modalidade, começou sua carreira pela AABR, passou pela Asbac, Candangos, Taguatinga e Peixe/Mazza. A segunda passagem pelo Cresspom já soma sete anos. Munim também brilhou em quadras fora de Brasília. Atuou no Carlos Barbosa(RS), em 2013; Concórdia (SC), em 2014; e no Corinthians (SP), em 2015 e 2016.

O atleta coleciona títulos: é hexa brasiliense; tricampeão da Liga Centro-Oeste; tem quatro taças Brasília; uma Taça Brasil (1ª Divisão); uma Taça Brasil (2ª Divisão); foi campeão gaúcho, em 2013; vice-campeão Mundial de Clubes, em 2013; campeão dos Jogos Abertos Santa Catarina, em 2014; bicampeão da Liga Paulista (2015 e 2016); e campeão da Liga Nacional 2016.

Pelo universitário, Munum atuou dez anos: seis, pela UFC; quatro pela Upis. Faturou nove vezes o título de campeão dos Jogos Universitários do DF; campeão dos Jogos Universitários Brasileiros (2010), em Blumenau; campeão da LDU, em 2009; e ainda foi convocado duas vezes pela Seleção Brasileira Universitária.

Com um currículo extenso, o atleta considera essa parceria da Faculdade Mauá e o Cresspom  um grande passo para a modalidade. “Acho de suma importância essa relação do esporte com as faculdades. É de grande valia, principalmente para o crescimento do atleta, não só profissional, mas pessoal. Vivi dez anos o esporte universitário e conquistei vários títulos. Foi através da faculdade que tive um ‘up’ na minha carreira e que me fez um cidadão de bem e um pai de família. Sou muito grato ao futsal, ao esporte, por tudo que ele me proporcionou”.

Munim conta que por meio do futsal conseguiu uma graduação, uma pós-graduação, e também pôde ajudar a família. “Tudo isso graças ao futsal e às faculdades que investiram e que apoiam o esporte. A gente fica muito feliz com essa parceria do Cresspom com a Mauá. O esporte só tem a ganhar com isso, o futsal só tem a ganhar. Temos grandes atletas em Brasília, jovens talentos despontando, com potencial enorme e tenho certeza que será bom para todos”.

Para Munim, “a parceria renderá bons frutos não só para o clube, mas também para a faculdade, principalmente nas competições universitárias que são de suma importância para a instituição. Espero que com isso a gente consiga um êxito muito grande”, acredita o atleta.

Outro experiente atleta do Cresspom que vê a parceria como uma grande oportunidade é Pedro Américo Barroso, o Budião. Ele passou pelo Cresspom de 2004 a 2010; atuou no Peixe Mazza de 2010 a 2012; no mesmo ano voltou para o Cresspom, onde ficou até 2015; e este ano retornou à equipe. “Considero uma oportunidade ímpar esse convênio com a faculdade Mauá, em que o atleta consegue agregar valores, unindo o esporte com a educação, tendo um futuro promissor, caso não consiga trilhar o caminho do futsal por muito tempo. Atualmente, a realidade de Brasília em relação esporte x educação é muito satisfatória. Hoje, parte do elenco do Cresspom está tendo a oportunidade de estudar e objetivar uma carreira, tanto alguns jogadores mais experientes quanto os jovens do sub20”.

Outro personagem importante no cenário esportivo, Edison da Silva, técnico e coordenador das categorias de base e das equipes femininas de futsal do Cresspom já realiza esse trabalho de parceria, mas com o ensino fundamental e médio, há muitos anos.  “Eu já trabalhei 11 anos no Colégio La Salle. Esse trabalho que envolve educação e esporte já rendeu 150 bolsas para atletas de ensino fundamental e ensino médio”.

O técnico lendário do Cresspom, mais conhecido por Tio Chico, também comemora a parceria, pois sabe da importância para os atletas. “Agora essa parceria com a Mauá é uma oportunidade para a continuidade da base educativa para essa garotada que se envolve com o esporte. Fico muito feliz porque já venho fazendo esse trabalho há muito tempo no ensino médio e agora na faculdade. O Cresspom só tem a ganhar e a Faculdade Mauá também, com a divulgação de sua marca. É uma parceria que já deu certo. Tomara que esses atletas aproveitem essa oportunidade de estar estudando em uma faculdade renomada que é a Mauá. E ficamos na torcida para que essa parceria perpetue”, pontua Tio Chico.

Descontos entre 50 e 55% nas bolsas de graduação

Para iniciar o projeto, a Faculdade Mauá ofertou descontos entre 50 e 55% nos cursos de graduação aos atletas de alto rendimento do clube. “Todos os atletas do Cresspom receberão bolsas de até 55% de desconto em cima do valor integral da mensalidade de graduação. Se tivermos cerca de 20 atletas estudando, teremos um investimento de aproximadamente R$ 30 mil por mês”, comenta o diretor administrativo, Pedro Leitão.

O diretor administrativo também agradece a todos os membros da Mauá que abraçaram o projeto, direta e indiretamente, como diretora geral da instituição, Dílcia Teles, o diretor pedagógico, Felipe Leitão, e o diretor comercial, Rogério Granjeiro.

Contrapartidas

Para serem contemplados, os atletas serão avaliados por análise de currículo. Quem não tiver tendo resultado na faculdade perderá o benefício.

“Não é simplesmente o atleta vir e se inscrever. Ele tem de mostrar resultado. A partir do momento que ele não está rendendo, para o projeto também não é vantagem”, explica Phelipe Azevedo, um dos idealizadores do projeto.

“O nome do projeto já diz tudo: ‘Projeto Mauá de Atletas de Alto Rendimento’. Então, ele tem de responder tanto na faculdade quanto em sua modalidade específica”, complementa Felipe Santos.

Pedro Leitão finaliza com uma mensagem: “Pedimos aos atletas que eles nos representem, pois a Mauá está aqui para ajudar no que for possível”.

 

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