Modalidade do hip-hop atraiu cerca de 30 atletas e movimentou a sede da LIPOC no dia 8 de junho
Por Giovanna Reis
A dança urbana invadiu as quadras das Olimpíadas de Ceilândia com a estreia do breaking, modalidade que integra a cultura hip-hop e, recentemente, passou a fazer parte do programa oficial dos Jogos Olímpicos. A competição reuniu cerca de 30 atletas, entre homens e mulheres, em disputas que emocionaram o público e exaltaram histórias de resistência, paixão e talento.
As apresentações aconteceram na sede da LIPOC, onde a energia da torcida e a batida marcante da música deram o tom das batalhas. No masculino, foram disputadas quatro baterias duas com quatro atletas, uma com três e uma com dois. No feminino, a disputa foi dividida em duas baterias: uma com três e outra com duas participantes.
O impacto além da dança
Para o coordenador da modalidade, Chede Ziad, o breaking vai além da dança: é um símbolo da cultura de rua que hoje encontra espaço também no esporte olímpico.
“O break representa a cultura hip-hop e agora também é um esporte olímpico. É muito legal ver a garotada se identificando. A ideia é fortalecer projetos como as Olimpíadas da Ceilândia, o circuito de rap battle e tantos outros. Quem sabe, no futuro, a gente tenha atletas ranqueados representando o Brasil mundo afora”, afirmou.
Campeã da categoria feminina, a b-girl Japa destacou o cuidado da organização com o piso do evento, um detalhe essencial para quem pratica o breaking. “Achei o evento muito legal. O piso é muito importante pra gente. Se ele não for adequado, não conseguimos fazer os movimentos. Eu sou fã desse evento aqui em Brasília”, contou.
Superação e representatividade: a história da b-girl Branca
Entre os jurados, uma história de superação tocou o coração do público. A b-girl Branca conheceu o breaking ainda em 2011, por meio de um projeto social. Desde então, trilhou uma trajetória apaixonada pela dança, participando de campeonatos e construindo sua identidade dentro da cultura hip-hop. Mas em 2016, sua vida mudou drasticamente: uma lesão na medula espinhal a deixou em uma cadeira de rodas.
Mesmo diante da adversidade, Branca não se afastou da arte que transformou sua vida, e, hoje, atua como jurada em eventos culturais e esportivos, inspirando outras pessoas com sua história de resistência.
“O break mudou minha vida. Quando tive a lesão, pensei que tudo tinha acabado. Mas a comunidade me acolheu, me incentivou a continuar. Participar desses eventos como jurada me fortalece. Estar aqui é uma forma de dizer que ainda estou dançando, de outro jeito. Espero que mais atletas se unam, que a gente consiga ranqueamento e represente o Brasil mundo afora. Porque o sonho continua”, declarou.
Reconhecimento nas ruas e sonho olímpico
Diferente de outras modalidades esportivas, os breakers não têm faixas ou graduações. A evolução vem com o respeito conquistado nas ruas, nas batalhas e na comunidade.
O b-boy Samoquim, de 16 anos, foi o grande campeão da categoria masculina. Ele contou que vem se preparando para competir em eventos nacionais e internacionais.
“O meu sonho é representar o Brasil lá fora. Treino pesado, faço musculação, trabalho o psicológico. Essas Olimpíadas são só o começo”, afirmou.
































































































