Inclusão, superação e esperança marcaram o evento esportivo no Ginásio da Guariroba
Por Giovanna Reis
No último sábado, 26 de julho, o Ginásio da Guariroba foi tomado por aplausos, olhares atentos e muita emoção. Entre jogadas silenciosas e movimentos calculados, a bocha paralímpica brilhou como uma das atrações mais tocantes da 11ª Olimpíada de Ceilândia. Dez atletas, divididos nas categorias BC2 e BC4, masculino e feminino, protagonizaram momentos de superação e força, ressignificando os limites do corpo com a potência da mente e da vontade.
Com seis bolas vermelhas de um lado, seis azuis do outro, e o objetivo comum de chegar o mais perto possível da bolinha branca, a bocha é mais do que um simples jogo de precisão. É, para muitos, um recomeço. A modalidade, que faz parte dos Jogos Paralímpicos desde 1984, foi criada para atletas com deficiências severas e, hoje, é um verdadeiro símbolo de resistência, inclusão e esperança.
Mais que um esporte: um novo caminho
Para o coordenador da modalidade, Marcos de Oliveira, a bocha representa um verdadeiro respiro de possibilidades. “Esse esporte foi feito sob medida para quem tem comprometimento nos quatro membros e usa cadeira de rodas. A bocha acolhe atletas que muitas vezes não encontram espaço em outras modalidades. Ela transforma a realidade dessas pessoas, permitindo que elas compitam, viagem e vivam a experiência do esporte de alto rendimento”, explica.
Entre os principais obstáculos enfrentados pela bocha paralímpica, ainda está a questão financeira. “Os equipamentos, como o kit de bocha, são caros, o que dificulta o acesso para muitos atletas. Além disso, a acessibilidade nos ginásios e locais de competição também é um desafio constante. Muitas vezes, é necessário fazer visitas antecipadas para avaliar as condições do espaço, verificar se há estações de metrô próximas e garantir que o local seja acessível a cadeirantes”, pontua o coordenador.
Determinação que inspira
Apesar das dificuldades, a paixão pela bocha é o que move os atletas como Eduardo Vasconcelos, campeão da categoria BC2. Com orgulho e olhar determinado, ele resume o espírito da competição.
“Esses eventos são muito importantes justamente para atrair novos atletas para a modalidade, para que outros cadeirantes e outras pessoas tenham a oportunidade de vivenciar o que eu vivi e, quem sabe, chegar onde eu cheguei. A cada edição, esses eventos contribuem para incluir mais uma pessoa com deficiência na sociedade, mostrando que a cadeira de rodas não é um instrumento limitante, mas sim a ferramenta que permite superar as limitações”, declara.
Entenda as categorias da bocha paralímpica:
A modalidade é dividida em diferentes categorias: BC1, BC2, BC3 e BC4, cada uma com suas particularidades e formas específicas de jogo.
Na categoria BC1, o atleta compete com o auxílio de um assistente. Já na BC2, há maior autonomia, permitindo que o atleta jogue sozinho. A categoria BC3 é destinada a atletas que necessitam de um auxiliar, conhecido como calheiro, responsável por operar a rampa e participar ativamente do jogo. Por fim, a BC4 contempla atletas com deficiências como Amiotrofia Espinhal ou lesão medular.
A rede de apoio que fortalece
Entre os técnicos, a emoção também é constante. Yuri Carvalho, que atua há quase uma década com a modalidade no Centro Olímpico e Paralímpico de Santa Maria, testemunha diariamente o impacto da bocha na vida de seus atletas. “A bocha vai muito além das quadras. Ela representa superação, inclusão e transformação. Muitas pessoas não imaginam a importância de praticar um esporte, de se movimentar. E quando conhecem a bocha paralímpica, descobrem que, sim, é possível praticar uma atividade física mesmo com limitações. Essa modalidade mostra que a deficiência não é um obstáculo intransponível, mas sim um desafio que pode ser superado com apoio, oportunidade e dedicação”.
“A Luana é tricampeã de Brasília e do Regional, bicampeã nacional. A bocha preencheu um espaço que achávamos vazio. A gente sonha ver os filhos no esporte, mas com as limitações físicas, nem sempre é possível. A bocha nos deu essa chance. Ela aprendeu a ganhar, a perder, e se prepara para a vida como atleta e como pessoa. Cada medalha dela é uma medalha para a família toda”, conta Barros Moreira, pai e treinador da atleta Luana Rosa.






























