Bets respondem por 7,9% do faturamento dos clubes da Série A, e proibição preocupa o futebol

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Agência Brasil

As casas de apostas, proibidas de operar no Brasil por uma medida provisória assinada pelo presidente Lula na sexta-feira (25/9), foram responsáveis por 7,9% das receitas dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2025, segundo os balanços financeiros das equipes. Pelas regras, apostadores podem sacar seus saldos até 5 de outubro, prazo também dado para a retirada de publicidade e patrocínios.

A proposta inicial previa vetar apenas os cassinos online, mas acabou ampliada para toda a atividade das bets. Empresas do setor estampam o patrocínio máster de 14 dos 20 clubes da Série A de 2026.

Flamengo critica e estima perdas

O Flamengo se manifestou contra a decisão, argumentando que ela prejudica o esporte e a economia e que a regulamentação atual, resultado de longo debate, já garantia fiscalização e cobrança de impostos. Em entrevista à CNN Brasil, o presidente Luiz Eduardo Baptista estimou perdas imediatas de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões em receitas para 2027.

Em 2025, os patrocínios das bets somaram R$ 1,14 bilhão para os clubes da elite, que faturaram juntos R$ 14,9 bilhões e acumularam dívidas de R$ 14,3 bilhões. Quatro equipes tiveram mais de 10% da receita vinda diretamente das apostas: Corinthians (17,3%), Flamengo (12,71%), Sport (12,64%) e Juventude (10,49%).

O contrato com a Esportes da Sorte prevê R$ 150 milhões por ano ao Corinthians. O São Paulo recebeu R$ 80 milhões da Superbet em 2025 e elevou o valor para R$ 95 milhões em 2026. O Santos ganhou R$ 51 milhões da 7k em 2025 e fechou com a Novibet por R$ 35 milhões para 2026. O Palmeiras, que assinou com a Sportingbet em janeiro de 2025, recebe R$ 120 milhões anuais, o equivalente a 6,93% de suas receitas.

Setor deve ir à Justiça

Segundo apuração do Estadão, as casas de apostas pretendem contestar a medida judicialmente, alegando inconstitucionalidade. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg indicou que 75% dos brasileiros apoiam a proibição, contra 17% contrários. Regulamentado no início de 2024, o mercado conta com 85 empresas autorizadas, cada uma tendo pago R$ 30 milhões por uma licença de cinco anos.

Levantamento da EY mostra que a receita dos clubes cresceu 33% em 2025 e 73% entre 2021 e 2025, mas o endividamento avançou 46% no mesmo período. Os clubes temem desequilíbrio financeiro e a migração dos apostadores para plataformas ilegais.

Fonte: Midiamax | Foto: Agência Brasil