Competição reuniu atletas de diferentes categorias e reforçou a importância da inclusão, do esporte e da convivência social
Por Giovanna Reis
No último sábado (30), a Praça dos Direitos, em Ceilândia, foi palco de mais uma emocionante etapa da 12ª Olimpíada de Ceilândia. Desta vez, os protagonistas foram os atletas da bocha paralímpica, que protagonizaram disputas marcadas pela precisão, estratégia e, sobretudo, pela superação.
Com competidores das classes BC1 a BC4, nas categorias masculina e feminina, a modalidade reuniu atletas, familiares, técnicos e apoiadores em um dia dedicado ao esporte inclusivo e à valorização da pessoa com deficiência.
Com seis bolas vermelhas de um lado, seis azuis do outro e o objetivo de posicioná-las o mais próximo possível da bola branca, a bocha paralímpica exige concentração, técnica e controle. Presente nos Jogos Paralímpicos desde 1984, a modalidade foi criada especialmente para atletas com comprometimentos motores severos e tornou-se uma das principais ferramentas de inclusão e desenvolvimento pessoal por meio do esporte.
Evento aguardado pelos atletas
Para o coordenador da modalidade, Marcos Benifera, a competição ocupa um espaço importante no calendário esportivo da região. “Os Jogos de Ceilândia são esperados pelos atletas todos os anos. Existem poucos eventos voltados para a bocha paralímpica, então essa competição representa uma oportunidade muito importante para eles competirem, mostrarem seu potencial e conquistarem medalhas. É uma satisfação enorme ver esses atletas superando desafios e demonstrando toda a sua capacidade”, destacou.
Segundo ele, a modalidade atende atletas com alto grau de comprometimento motor, tornando ainda mais significativa a participação em eventos esportivos de grande porte.
Além da competição, a bocha paralímpica também promove integração e convivência social. A árbitra Maria Inês ressaltou que campeonatos como a Olimpíada de Ceilândia são fundamentais para fortalecer os laços entre os participantes.
“É muito difícil termos campeonatos de bocha ao longo do ano. Quando existe essa oportunidade, eles se reencontram, treinam juntos e fortalecem amizades. O esporte também é uma forma de tirá-los de casa, estimular a convivência e criar novas relações”, afirmou.
Para ela, embora a disputa aconteça individualmente dentro da quadra, o espírito coletivo é um dos grandes diferenciais da modalidade. “Eles criam vínculos muito fortes. Em competições nacionais, atletas de vários estados se tornam amigos e mantêm contato. Essa união e essa perseverança são aspectos muito importantes dentro da bocha”, acrescentou.
Apoio familiar faz a diferença
Nas arquibancadas, familiares acompanhavam atentamente cada lance. Entre eles estava Luiz Gonzaga, pai do atleta João, que destacou o papel da família no desenvolvimento esportivo dos competidores.
“O treinamento exige muito esforço. Muitas vezes precisamos percorrer longas distâncias para os treinos, mas isso faz parte da preparação. Para o atleta evoluir, ele precisa treinar constantemente”, explicou.
Segundo Luiz, o apoio familiar é indispensável para que os atletas consigam participar das atividades esportivas. “Eles precisam muito da família. Sem esse suporte, fica difícil se locomover, participar dos treinos e competir. No nosso caso, até adquirimos um veículo adaptado para garantir mais conforto e segurança”, contou.
Ele também apontou a mobilidade urbana como um dos principais desafios enfrentados por pessoas com deficiência. “Muitas vezes a maior dificuldade é o transporte para chegar aos locais de treinamento”, ressaltou.
Sonhos que começam na infância
Entre os participantes da competição estava Eduardo Vasconcelos, atleta com trajetória consolidada na modalidade e destaque em competições internacionais.
Eduardo começou na bocha ainda criança, entre os 10 e 12 anos de idade. Desde então, construiu uma carreira marcada por conquistas expressivas, incluindo o vice-campeonato mundial juvenil e o vice-campeonato pan-americano, tanto nas disputas individuais quanto por equipes.
“A preparação para uma competição como esta é semelhante à de qualquer outro campeonato. Temos treinamentos diários, acompanhamento psicológico, fisioterapia, alimentação controlada e toda uma equipe trabalhando junto. Ser atleta é o nosso trabalho”, explicou.
Para quem deseja iniciar na modalidade, ele deixa um convite: “A bocha é um esporte extraordinário. Procurem um centro esportivo, conversem com os professores e conheçam a modalidade. Tenho certeza de que será amor à primeira vista”, afirmou.
Inclusão dentro e fora das quadras
O árbitro internacional Loreno Kikuchi destacou que a importância da Olimpíada de Ceilândia vai além da competição esportiva. “Esse evento ajuda a fomentar a modalidade localmente e reúne atletas de diversas regiões do Distrito Federal e do Entorno. É uma oportunidade de inclusão social, de integração entre as famílias e de mostrar que o esporte faz parte da vida dessas pessoas”, afirmou.
Segundo ele, o desenvolvimento dos atletas depende de uma combinação de fatores que envolvem preparação física, técnica e emocional. “Oportunidade é a palavra-chave. O atleta precisa de locais acessíveis, profissionais qualificados e espaços que acolham e incentivem seu desenvolvimento. Quando isso acontece, ele consegue evoluir e alcançar competições regionais, nacionais e até internacionais”, destacou.
Mais do que medalhas
Entre disputas equilibradas e momentos de celebração, a etapa da bocha paralímpica na 12ª Olimpíada de Ceilândia mostrou que o esporte vai muito além das medalhas. A competição evidenciou histórias de dedicação, apoio familiar, inclusão e amizade, reforçando o papel do esporte como instrumento de transformação social.






















