“Comecei a ganhar dinheiro de cabeça baixa”

0
17
Cleber Pires não esconde a origem humilde, mas mostra que para vencer, é preciso ter coragem e muita determinação

Cleber Pires, presidente da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF), assumiu a cadeira há pouco mais de dois meses e o trabalho já está a mil por hora, afinal, a entidade engloba todo o setor de comércio e as necessidades são muitas.

Para chegar onde está, Cleber Pires construiu uma história aguerrida e de muito trabalho. Ele conta que começou a ganhar dinheiro de “cabeça baixa”, pois trabalhava de engraxate, quando criança, em sua cidade natal, São João Evangelista-MG.

O pai era funcionário público e a mãe tinha um pequeno comércio. “Nasci e me criei com todas as necessidade de uma família humilde e, vindo atrás do sonho de JK, vim para Brasília com 17 anos e 29 dias”, conta o presidente.

“Chamo a atenção do público para que antes de comprar um carro zero, dê uma olhada nos seminovos”

Começou a trabalhar, mas também chegou à conclusão que não tinha vocação para ser empregado de ninguém. Logo apareceu uma oportunidade. O dono de uma churrascaria, no Gama, alugou o local para Cleber, com toda a estrutura. Ele passou um ano com o comércio e resolveu montar uma casa noturna, em sociedade com pai, no Gama.

Passado algum tempo, saiu do negócio. Como pagamento de sua parte, o pai lhe deu dois carros e duas motos. Sem ter onde guardar os veículos, foi para baixo de uma árvore para vendê-los. Dois meses depois, já estava em uma sala, no Edifício Rádio Center e, em seguida, com uma loja maior, também na Asa Norte.

O sucesso era notório, mas, em 1994, enfretou muitas dificuldades, pois, de acordo com o presidente, eles eram conhecidos por “picaretas do automóvel”. Era preciso agir e, para ele, somente a união empresários do setor podia mudar a situação.

Para isso, bateu de porta em porta, até que conseguiu fortalecer o setor, com mais de cem empresas organizadas. Em um determinado período, a pressão para tirar os empresários da Asa Norte era grande, mas o grupo estava forte e também ameaçou parar as atividades por um dia, o que rendeu ações do poder público, até que surgiu a Cidade do Automóvel, local consolidado e que falta muito pouco para chegar ao ideal de um setor de empresas.

Em entrevista ao ViverSports&Motores, Cleber Pires fala sobre a ACDF, as expectativas para o comércio e setor automotivo neste fim do ano.

O que os empresários podem esperar da nova gestão?

Temos muitas demandas para atender, mas a revitalização do comércio, a segurança pública e a criação da zona azul (estacionamentos rotativos) são nossas prioridades.

Qual a expectativa para o comércio neste fim de ano?

O Distrito Federal não é diferente de outros estados brasileiros. No fim do ano, sempre vem uma injeção de capital, com o 13º salário. Isso também gera empregos temporários e a probabilidade de novas contratações para o próximo ano.

E para o setor automobilístico, também há boas perspectivas?

No fundo, as pessoas são muito vaidosas e é natural que muitos queiram trocar, pelo menos, a cor do carro, no fim do ano, o que acaba aquecendo as vendas do setor, como ocorre todos os anos.

Mesmo no caso de carros seminovos?

Exatamente. Chamo a atenção do público para que antes e comprar um carro zero, dê uma olhada nos seminovos. Com a redução do IPI, esse mercado também reduziu os preços.

O governo estendeu a redução do IPI até 31/12, quando seria até 31/10. Como ficam os consumidores que não conseguirem receber o carro até esse período?

Será que isso não é mais uma jogada para forçar as vendas dos carros novos? Será que vai, mesmo, até 31/12? Precisamos esperar pra ver. Mas, se for, o público que não conseguir que as montadoras entregue os carros até 31/12 corre o risco de ter de pagar mais pelo produto.

A Cidade do Automóvel está consolidada. O que falta para deixá-la melhor ainda?

O governador do DF, Agnelo Queiroz, já acenou com autorização para algumas ações que vão melhorar bastante o local, como a construção da Avenida Central e uma praça de alimentação. Temos um PIB bastante elevado naquela região e merecemos essas obras. Ou seja, falta muito pouco e será concluído em breve.

Brasília receberá dois grandes eventos esportivos: a Copa das Confederações, em 2013, e o Mundial, em 2014. Como está a preparação dos comerciantes para esses dois importantes períodos?

A maioria está ministrando cursos e palestras de capacitação para os trabalhadores, já pensando nesses dois grandes eventos. Há uma mobilização de outros órgãos. A população não utiliza, mas o Sebrae, entidades de classe e outros órgãos públicos estão prontos para oferecer cursos de capacitação. A partir daí, é só preparar o espírito e a casa para receber gente do mundo inteiro.

Você assumiu a ACDF há pouco mais de dois meses. Além das demandas a serem atendidas, o que deixaria de mensagem para os comerciantes do DF?

A população e o empresariado devem se organizar, porque com organização, dificilmente será vencido. A partir do momento que houver essa consciência associativa, teremos uma vida melhor, em qualquer lugar. Só assim, somos capazes de unir forças em torno de alguma causa.

Artigo anteriorUnião Expansão está demais
Próximo artigoGuga apresenta o Peugeot 308 THP no 27º Salão Internacional do Automóvel
Viver Sports
A voz do esporte amador no DF e Entorno, chega a versão 2.0 de seu novo Site

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui