
Mesmo sem muitos recursos, instituição colhe frutos do esforço de seus mestres e alunos
Com pouco recurso o Instituto Arte, Cia. e Cidadania (IACC) sobrevive há cerca de 20 anos com a colaboração de voluntários e algumas empresas privadas. A instituição visa, por meio da arte, esporte e lazer, promover a inclusão social. Com cerca de 450 alunos, a entidade fica em Samambaia e tem a maior equipe de Taekwondo do Distrito Federal. Além de luta, oficinas de jiu-jitsu, escolinha de futebol, ginástica para melhor idade e inclusão digital são oferecidas pelo IACC a toda comunidade.
A história da instituição começou com Claudeci Martins, que criou o grupo de dança cultural Si Bobiá a Gente Pimba, na ativa até hoje. No ano passado, ficou em sexto lugar no Concurso Nacional de Quadrilha, realizado no mês de setembro, em Sergipe. “Tudo começou com ensaios do grupo na rua. verificamos que havia pessoas que não queriam dançar, mas desejam ocupar o tempo com outro tipo de atração, então, começamos a abrir oficinas”, conta William Lima, presidente do Instituto e técnico da Seleção Brasiliense Masculina de Taekwondo.
No início, a instituição oferecia cursos para outras regiões administrativas, mas como os recursos são escassos, teve de limitar o atendimento apenas a Samambaia. O IACC funciona em um prédio, na quadra 310 de Samambaia. Apesar de pagar aluguel, o local é considerado uma casa de sonhos, que reúne pessoas de todas as idades.
As despesas como aluguel, luz e água são pagas com a ajuda de empresas privadas. Quando as doações não são suficientes, sobra para o presidente do IACC, William Lima, que arca com tudo para não deixar os trabalhos morrerem.
Segundo ele, a população também ajuda, voluntariamente, com produtos de limpeza e materiais administrativos. Para melhorar o condicionamento físico dos alunos a Academia Bio Fitness oferece bolsas de estudos para alguns atletas. O sonho é conseguir a sede própria e evitar algumas despesas.
Superação
Sonhar e fazer acontecer é a realidade de muitos integrantes do Instituto Arte, Cia. e Cidadania. Entre crianças, adolescentes e adultos o pensamento é um só: vencer os desafios. “O esporte me ajudou a superar um sopro no coração. Quero ir para seleção brasileira, defender o Brasil e o esporte que me ajudou”, declara sorridente, Ismael Lemos Barbosa, 16 anos.
O jovem coleciona resultados positivos em campeonatos de taekwondo e só pensa nas próximas competições. No Brasileiro deste ano, ficou em terceiro lugar.
As crianças também estão se destacando e algumas já estão fazendo histórias, conquistando medalhas nas disputas regionais. “Treino desde os meus dois anos e já ganhei 12 medalhas”, diz Lyann Isaac, quatro.
Ações que viabilizam sonhos
Não há idade para a prática de esporte. Há um ano e meio, Ana Cléa, 37 anos, o marido e os dois filhos mais novos frequentam as aulas de Taekwondo. A falta de recursos financeiros para pagar pela modalidade e a asma a impediram de praticar o esporte.
O tempo passou e ela não desistiu de realizar o sonho. E, com as aulas gratuitas do instituo, Ana se sentiu à vontade para tentar na luta. “Quando eu via os garotos passando, com o quimono branco, na porta de casa, meu coração disparava. Eu sempre tive muita vontade de lutar, mas o que me impendia era minha doença e por ser muito caro as aulas nas academias”.
Além de realizar um sonho, Ana conseguiu amenizar a doença, devido aos exercícios físicos que o esporte proporciona. “Eu vim só para ver como eram as aulas, praticar algum esporte e sair do sedentarismo. Apaixonei-me pela luta e estou até hoje”, diz Ana.
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