Gol de placa em Planaltina-GO

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Parceria com o Ajax Cruzeiro tem o objetivo de levar aos jovens de Planaltina-GO melhores oportunidades com o esporte
Projeto Udev, de Brasilinha, ganha parceiros de peso, como Ajax Cruzeiro e Fut’Art Guará

Se a situação para o esporte amador no Distrito Federal já não é boa, em muitas regiões do Entorno é pior ainda. Porém, mesmo com todas as dificuldades, há pessoas que acreditam no futuro de muitos jovens e os ajudam a reescrever suas histórias. Esse é o caso de um grupo que atua em Planaltina de Goiás (Brasilinha-GO), cidade do Entorno distante 63km da Capital Federal. Estão à frente do projeto Udev Ajax Futsal (União, Dedicação, Esforço e Vitória Ajax Futsal) Adenil dos Santos Matos, o Nem; Ricardo Sousa; e Mauro Lúcio de Jesus.

Tudo começou com as irmãs Sandella e Meirielle Gomes dos Santos, que adoravam ir à quadra da 17 Norte de Brasilinha para brincar. Um dia, elas pediram a Nem que as ensinasse a jogar futebol. A partir daí, a garotada foi chegando e, com isso, o projeto ganhou também o apoio de Mauro e Ricardo.

Atualmente, cerca de 200 crianças e jovens praticam futebol na quadra, mas as dificuldades para levar o projeto adiante são muitas, pois faltam materiais esportivos, dinheiro para viabilizar competições e outras necessidades. “A falta de apoio leva um grande número a desestimular, desistir de jogar e alguns acabam ficando vulneráveis às situações de riscos sociais”, observa Nem. Ele acrescenta: “Uma ferramenta poderosa para evitar que as crianças caiam nas ciladas do tráfico é o esporte, mas para isso, precisamos oferecer condições melhores a elas”.

Voluntários pedem apoio

Ricardo Sousa, um dos professores voluntários do projeto Udev Ajax Futsal (União, Dedicação, Esforço e Vitória Ajax Futsal), trabalha há quatro anos com os meninos. Formado em Administração, o rapaz gostaria de poder fazer mais, porém, é impossível sem apoio. “Tiramos do próprio bolso para ajudá-los e mesmo assim não é suficiente”, diz Ricardo.

O professor conta que busca apoio na iniciativa privada, mas dificilmente consegue. “Temos dois empresários da cidade que ainda contribuem: o ConstruReis Material de Construção, que algumas vezes ajuda com o transporte dos meninos, e o Superbairro Supermercado, que nos fornece água nos fins de semana, durante as aulas”, informa Ricardo.

Nem e Sandella acreditam nas ações do projeto para livrar os jovens da cidade de situações de risco

Atletas e moradores também clamam por melhorias

As crianças de Brasilinha e suas famílias já estão afinando o discurso quanto às necessidades da cidade. Sandella Santos, hoje com 14 anos, segue jogando futebol, porém, a jovem apela às autoridades que olhem para eles. “Há muito para ser feito aqui, mas se pelo menos reformassem a quadra e cobrissem, já seria um grande avanço”, solicita a atleta.

A pivô Taís Stéfani também faz parte da escolinha. A jogadora acredita que o futebol ajuda os jovens a ficarem longe de situações de risco, mas para ter maior eficiência, é preciso apoio. “Esse projeto é muito importante, pois só de estar livre das drogas, da criminalidade, já uma grande vitória. Aqui não tem nada de lazer e entretenimento e meu sonho é ver Brasilinha uma cidade descente”, diz a jovem atleta.

João Vítor Monteiro Costa, 13 anos, goleiro, está na escolinha há três anos e também insiste na reforma da quadra. “O esporte é alegria e a gente não pode desistir, por que senão a disposição vai embora. E para que isso não ocorra, precisamos da reforma da quadra”, enfatiza Vítor.

Associação

Ildaildes Batista Nepomuceno mora em Brasilinha há um ano e já deu um passo importante, que é a mobilização dos pais dos alunos da escolinha para criarem uma associação. Ildaildes espera, com isso, fortalecer a comunidade e conseguir atender as demandas dos moradores.

“Os jovens daqui precisam, de fato, de uma reforma na quadra. A falta de estrutura deixa os meninos vulneráveis. Eles veem outros conseguirem coisas bacanas por meio do tráfico e vão querer fazer o mesmo”, alerta Ildaildes.

Seco e William já planejam novas ações em Planaltina-GO

Parceria é o começo de novos tempos

O projeto desenvolvido por Adenil dos Santos Matos (Nem), Ricardo Sousa e Mauro Lúcio de Jesus ganhou aliados de peso. Há duas semanas, oAjax Cruzeiro abraçou a causa e fechou parceria com o Udev Ajax Futsal. E tem como padrinho William Cleber Sousa Farias, presidente da Liga Candanga de Futsal do Distrito Federal e professor responsável pela Escolinha Fut’Art do Guará.

“A intenção é ajudar na formação desses atletas e proporcionar melhores condições para que eles participem de campeonatos, tanto no DF quanto no Entorno”, informa Alessandro Henrique Maciel (Seco). Para ele, usar o futebol para unir forças em prol da formação de cidadãos do bem tem uma energia tão positiva que não é possível determinar onde isso pode parar. “De lá, podemos tirar muitos craques. E mesmo que a maioria não se torne jogadores profissionais do futebol, no mínimo serão cidadãos dignos, agindo em prol da comunidade local”, acredita Seco.

E ele faz questão de frisar o quanto o apoio da comunidade local também é importante. “O Ajax Cruzeiro tem o Quiosque Vôo Livre como paceiro. E não me canso de falar o quanto o senhor Ênus (proprietário do Quiosque Vôo Livre) é importante para todos nós. Outros como ele poderiam aparecer”.

Frutos

A união do Ajax Cruzeiro com o Udev Ajax Futsal começou há pouco tempo, mas já rendeu uma boa notícia a um dos alunos de Brasilinha. Gabriel viajou, a convite do Flamengo Brasília, para a compor o time Sub-12 que está disputando um tradicional torneio, em Rancharia-SP, com todas as despesas pagas pelo Rubronegro. “Graças a Deus, realizamos um trabalho sério no DF e por meio dele é que podemos contar com parceiros como o Flamengo e outras grandes escolinhas de Brasília”, comemora Seco. E acrescenta: “Esse é apenas o primeiro passo de muitos que virão”.

Eles só querem melhores condições para continuar o trabalho com jovens atletas da região

Família unida pelo futebol

A família de Edmilson Felizardo da Silva, 73 anos, morador de Planaltina-GO (Brasilinha) também enfrenta dificuldades para manter a escolinha de futebol. Com as filhas Ediana Barbosa da Silva, 34 anos, Elisângela Barbosa da Silva, 31, os genros, e a técnica Francisca Alves de Sousa, 34 anos, o senhor, simpático e apaixonado por futebol, mantém a escolinha Vila Norte, com 45 jovens, entre seis e 17 anos. Os atletas treinam no ginásio da cidade, o que gera um custo mensal de R$ 200 e no campo sintético, onde pagam R$ 60 a hora. Os jogos são realizados aos sábados e domingos.

Eles participam de campeonatos em Sobradinho, mas, segundo Elisângela, o custo é alto. “O transporte público é muito difícil. Meu maior sonho é poder registrar a escolinha e ter melhores condições para oferecer a eles”, diz Elisângela.

Guerreira, Elisângela não desiste. Ela se apega aos exemplos bons que têm à sua volta. “Adriane, que está na Seleção Brasileira, jogava com a gente e ninguém botava fé e hoje ela está lá, dando show”, conta Elisângela Barbosa.

A Vila Norte também é um projeto que precisa do apoio da Prefeitura de Planaltina-GO e de comerciantes locais. Só assim, será possível dar continuidade ao trabalho e valorizar os atletas da cidade.

Prefeitura está disposta a ajudar

De acordo com José Carlos Sousa, secretário do prefeito José Olinto Neto, de Planaltina-GO, os problemas vêm de muito tempo, mas todos estão trabalhando para corrigir. “Esse é o prefeito que mais fez pelo esporte da cidade. Ele foi o primeiro a firmar convênios para realização de campeonatos e ajudar de várias formas o futebol amador da cidade”, diz.

Segundo o secretário, o prefeito é muito ligado ao esporte e muitas ações estão sendo propostas e realizadas para a comunidade. “Ele é um cara que está nos campos, acompanhando os campeonatos e sabe das necessidades, mas é preciso ter paciência, pois não se resolve tudo de uma vez”.

Com relação às quadras de esporte, o secretário reconhece que é preciso reformá-las e, segundo ele, a prefeitura está tomando todas as providências. “Fizemos licitação para reformar várias quadras, mas a empresa não deu conta e tivemos de cancelar o processo e licitar novamente, mas todas serão reformadas”, garante José Carlos.

Convênios

Além dos problemas estruturais, o secretário faz um alerta: “Para que um projeto receba o apoio da prefeitura, é preciso que ele esteja dentro da legalidade. A viabilidade do projeto se dá por meio de convênio e para firmar esse convênio, é necessário que exista registro da associação, que o projeto traga previsão de quantos alunos serão atendidos, os horários, de que forma. E firmado o convênio, o repasse de verba se dá mês a mês, mediante prestação de contas”, explica.

José Carlos aconselha ainda que o Udev Ajax Futsal procure a prefeitura para se informar dos trâmites e, tão logo tudo esteja certo, é possível que o projeto receba, por meio de convênios, ajuda com material esportivo e outras necessidades.

 

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