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Paralimpíadas: 44 alunos da rede pública do DF participam da competição

O evento começou na quarta-feira (30) e segue até esta sexta (1º), no Clube do Exército e no Centro Interescolar de Esporte (Cief)

Quatro treinos por semana, cada um com duração média de duas horas. O caminho não é fácil, mas, para Adryan Eduardo dos Santos, 11 anos, vale a pena. Estudante de escola pública, ele é um dos 51 atletas do Distrito Federal que competem na segunda etapa regional das Paralimpíadas Escolares 2023, sediada em Brasília. Do total de participantes brasilienses, 44 são de escolas públicas e sete de instituições privadas. O evento começou na quarta (30) e segue até esta sexta-feira (1º), no Clube do Exército e no Centro Interescolar de Esporte (Cief).

Morador de São Sebastião, Adryan nasceu com uma má formação congênita nos membros inferiores. Em 2022, a mãe dele, a autônoma Alessandra Aparecida dos Santos, 46 anos, descobriu o Centro Olímpico da cidade e decidiu inscrever a criança nas aulas de natação. Mas, à época, a modalidade não estava disponível e o menino passou a praticar atletismo. Os resultados foram surpreendentes e ele chegou a viajar para São Paulo para competir.

Em janeiro deste ano, surgiu a oportunidade de nadar. Adryan revela que aprendeu tudo do zero. “Não sabia fazer borboleta, nem ondulação, e agora eu sei fazer todos os tipos de nado”, cita. “A natação me ajudou muito. Se eu não fizesse, ia ficar só dentro de casa, na frente da televisão. Provavelmente ia engordar muito. A natação ajuda a desenvolver a musculatura dos braços, ajuda a emagrecer. E também, se algum dia eu estiver num navio e ele afundar, eu sei nadar, então, vou poder me salvar”, brinca o garoto.

Para Alessandra, ver o menino solto e independente é sinônimo de orgulho. “Lá no Sarah (Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação), na área de ortopedia, tinha uma imagem de dois corredores usando prótese no Central Park e eu me perguntava se um dia meu filho seria um atleta. Hoje, sei que sim. É exatamente isso que está acontecendo”, relembra ela, que é mãe solo de quatro filhos. “Todos os dias, eu falo que ele nasceu pra se destacar, para conquistar o mundo, para ir longe”, completa.

O professor do Centro Olímpico de São Sebastião Edson Tavares, técnico de Adryan, conta que o apoio familiar é essencial para o sucesso do atleta. “Sem apoio, seria muito difícil. Quantas pessoas com deficiência não estão em casa por conta do medo da família de que ele seja julgado, sendo que, na verdade, o esporte é um salva-vidas”, aponta.

Recomeço

Embora pareça clichê, o esporte realmente mudou a vida do estudante João Gabriel Lins, 15 anos. O pai dele, o autônomo Luiz Gonzaga Lins, 60, revela que, antes, o menino não tinha muito movimento na agenda: a rotina era baseada em ficar em casa e em consultas com a fisioterapeuta. Depois que conheceu a bocha, porém, o cenário mudou: treina de terça a sexta-feira e participa de diversas competições. “Agora ele é outro adolescente. Está mais disposto, mais comunicativo. Ele leva o esporte a sério e quer ir até onde puder, o mais alto possível”, relembra o pai.

Para João, o que mais mudou foi a perspectiva de vida. Antes sem muita esperança no futuro, hoje ele tem planos e metas: quer se tornar um atleta olímpico e se formar em jornalismo. Diante de tantas mudanças, ele indica o esporte para outros colegas. “Se você é cadeirante e pensa que é um nada, tente um esporte e se sentirá importante. É como me sinto hoje, mudou totalmente a minha rotina”, aconselha João. A bocha é um esporte praticado por atletas com elevado grau de paralisia cerebral ou deficiências severas.

O menino, que nasceu com paralisia cerebral, começou a praticar bocha em 2019, no Centro Olímpico do Setor O, em Ceilândia. Logo no primeiro ano, conquistou duas medalhas de prata: em São Paulo e em Brasília. No ano passado, subiu de patamar: alcançou o ouro em duas competições. Neste ano, a meta é a mesma, ganhar as etapas regional e nacional das Paralimpíadas.

Nas competições, João conta com o apoio do professor Marcos Oliveira. Com mais de três décadas de docência, ele conduz 63 alunos no CID Paralímpico de Taguatinga nas modalidades de bocha e atletismo. “O esporte é uma mudança de vida, principalmente daquele aluno que vivia escondido em casa, não tinha contato com ninguém. Abre um norte na vida deles que é um ganho inexplicável”, pontua.

Organizadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) desde 2006, com exceção de 2008 e 2020, as Paralimpíadas Escolares são o maior evento esportivo para crianças e jovens com deficiência em idade escolar do mundo. A competição é composta por três fases regionais e uma nacional. A primeira etapa regional de 2023 foi realizada em Belém, Pará, e a terceira e última será em São Paulo, que também receberá a etapa nacional. Na segunda fase, sediada em Brasília, participam 530 atletas em provas de atletismo, natação e bocha, vindo de 10 estados (AC, AM, BA, GO, MG, MS, MT, RO, RR e TO) e do DF.

“Este é o segundo ano que a etapa regional das Paralimpíadas Escolares acontece em Brasília, que acaba se destacando no cenário nacional do desporto para pessoas com deficiência com resultados bem expressivos, tanto em competições para adultos quanto escolares”, comenta Wanderson Cavalcante, professor da Secretaria de Educação que representa a pasta nos jogos. “O Distrito Federal, por diversas vezes, já teve o terceiro lugar em âmbito nacional e, no ano passado, na etapa regional, ficamos em segundo lugar, atrás de Minas Gerais”, completa. (Da Agência Brasília)

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