Caça talentos do futebol em Brasília

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Dupla de observadores técnicos do São Paulo acompanham competições no DF

Ser jogador de futebol profissional é o sonho de grande parte dos atletas infantis. Sabe-se que o percentual dos que conseguem é muito pequeno, mas isso não desestimula a garotada, que entra em campo para mostrar seu talento. O esforço é maior ainda quando se sabe que há por perto observadores técnicos que podem ajudá-los a realizar seus objetivos.

Nas últimas duas semanas, atletas do Distrito Federal jogaram sob os olhares de dois personagens dessa história de luta, sonho, desilusão e sucesso. Estiveram por aqui Leiva Duarte e Cícero Gomes (Tupã), observadores técnicos do São Paulo Futebol Clube.

Eles acompanharam vários campeonatos que estavam ocorrendo na cidade e puderam avaliar alguns jogadores de destaque. A dupla observou atletas entre 10 e 14 anos. Mas também teve a oportunidade de acompanhar alguns na faixa etária de 15 anos. Segundo eles, não há um número certo de meninos que vão a teste no clube. “Há viagens que não conseguimos levar nenhum. Mas em outras, uma média de cinco a sete atletas”, conta Leiva.

Porém, para tornar o sonho realidade, não basta saber jogar futebol. “Primeiramente, avaliamos a parte técnica, mas a disciplina e conduta têm um peso muito grande”, revela Leiva.

De acordo com Leiva, a profissão tem seus encantos, mas para ser um bom observador técnico, é preciso ter humildade e também pé no chão para não se deixar levar por opiniões apaixonadas. “De futebol, todo mundo entende um pouco, mas é preciso avaliar bem e ouvir a opinião de outras pessoas”.

PERFIL
LEIVA DUARTE (E)

Leiva Duarte jogou na Segunda Divisão do Campeonato Paulista de 1989 a 1992. Sua carreira foi curta, mas mesmo assim não desistiu do futebol. Em 1993, ingressou como observador técnico, no Colina Atlético-SP. Em 1994, foi para o Vitória-BA, onde ficou até 1996, quando retornou para o Colina.

Em 1997, fez o caminho contrário, onde ficou até 2007, no Vitória da Bahia. No mesmo ano, encontrou no São Caetano a oportunidade de seguir na profissão de observador técnico, e permaneceu até 2010. Em setembro do mesmo ano, foi para o São Paulo Futebol Clube, onde está até hoje.

Leiva adora a profissão, pois, segundo ele, “gosta de achar bons jogadores, encontrar talentos”. Mas se tem algo que não gosta em sua função é presenciar pais forçando as crianças a serem jogadores. “Tem pais que acham que vão encontrar nos filhos a sua aposentadoria. Isso me irrita profundamente”.

CÍCERO GOMES (D)

Cícero Gomes, o Tupã, foi jogador profissional por 18 anos. Atuou no Guarani-SP, Botafogo-RJ e outros clubes. Quando parou de jogar futebol profissionalmente, trabalhou em algumas escolinhas.

Nesse trabalho, descobriu muitos jovens talentos e, como tinha bom relacionamento com o São Paulo Futebol Clube, foi convidado, em 2003, a ocupar o cargo de observador técnico do clube. No início, fazia indicações para o profissional, mas, atualmente, só para as categorias de base.

Segundo ele, uns 40 atletas entre 10 e 18 anos já foram levados por ele para o clube. Mas assim como Leiva, ele também fala de um lado que não gosta nessa função, que é a conduta de alguns pais. “No futebol, de cada cem, dois seguirão carreira. Os que não conseguirem precisam ter uma boa base para levar a vida. E os pais são muito importantes nessa hora. Se os pais não estão preparados psicologicamente para segurar a barra do filho pela frustração, com certeza esse menino terá problemas na vida”.

“Estudo em primeiro lugar”

Enquanto Leiva Duarte concede a entrevista, Cícero Gomes, o Tupã, também observador técnico, assiste às partidas e faz várias observações sobre os atletas que estão em campo. Mas ele chama a atenção para o comportamento das famílias de muitos jogadores. Segundo ele, alguns forçam as crianças a jogar futebol e fica evidente que aquele sonho não é do jovem atleta e, sim, do pai.

“O futebol é muito bom, mas é preciso que os atletas queiram seguir carreira e que não sejam forçados pelos pais. A família deve incentivar os filhos a estudar. Mais que isso. Deixem as crianças jogarem por livre e espontânea vontade”, alerta Tupã.

O observador complementa com um conselho: “O futebol deve ser um lazer para os pequenos e não uma obrigação. O estudo deve vir em primeiro lugar, pois se o atleta não conseguir seguir carreira, no mínimo, será um homem digno em qualquer outra profissão”.

Idas e vindas dos selecionados

Durante as observações dos “olheiros” do São Paulo Leiva Duarte e Tupã, eles anotam alguns nomes e observações. Em Brasília, eles ficaram 12 dias e fizeram suas escolhas. Mas nada é informado aos técnicos e pais. Somente quando chegam em São Paulo preparam um relatório e passam para uma comissão técnica, formada por três professores.

Na semana seguinte, a comissão entra em contato com os técnicos dos jogadores. Os aprovados passam uma semana a cada três meses no clube (São Paulo), onde são monitorados até completarem 14 anos. “Depois dos 14 anos, vão morar no clube e se prepararem para a carreira. Porém, nem todos conseguem”, diz Leiva.

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